Irã ataca bases dos EUA na Jordânia, Kuwait e Bahrein após nova onda de bombardeios americanos

Por Diego Rodríguez Velázquez
Irã ataca bases dos EUA na Jordânia, Kuwait e Bahrein após nova onda de bombardeios americanos

Escalada no Oriente Médio encerra trégua entre Washington e Teerã e reacende temores sobre o Estreito de Ormuz.

O conflito entre Estados Unidos e Irã voltou a se intensificar nesta semana, com o fim do acordo interino que havia suspendido temporariamente as hostilidades entre os dois países. Segundo informações de agências internacionais, as forças americanas retomaram os ataques aéreos contra território iraniano, atingindo pela primeira vez, nesta rodada do conflito, áreas ao redor da capital Teerã, além da Ilha de Qeshm, da cidade portuária de Chabahar e da província de Semnan, região que abriga o programa de mísseis balísticos e o programa espacial do país.

Em resposta, o Irã lançou uma série de ataques contra instalações militares dos Estados Unidos na região, atingindo bases na Jordânia, no Kuwait e no Bahrein. A Guarda Revolucionária Islâmica afirmou ter mirado sistemas de defesa aérea, instalações de armazenamento de combustível e radares, em retaliação ao que classificou como um ataque americano nas proximidades de um hospital infantil de tratamento de câncer no Irã.

Como a escalada aconteceu e o papel do Estreito de Ormuz

A retomada dos combates marca o fim de uma trégua que havia sido firmada em meados de junho entre Teerã e Washington, período em que o tráfego de embarcações no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas para o transporte global de petróleo, havia voltado a crescer gradualmente. Antes do acordo, a via marítima chegou a ser fechada após o início da ofensiva conjunta de Estados Unidos e Israel contra o Irã, o que provocou disparada nos preços do petróleo, de fertilizantes e de outras commodities dependentes da rota.

Com a retomada das hostilidades, analistas citados por veículos internacionais apontam que o tráfego na região voltou a cair de forma significativa, especialmente na rota apoiada pela ONU e utilizada por Omã, depois de uma sequência de ataques a navios registrada no início da semana. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos, as forças americanas miraram centros de comando iranianos, sistemas de defesa antiaérea, capacidades de mísseis e drones, além de instalações de vigilância costeira em diferentes pontos do país, incluindo a região de Bandar Abbas. As autoridades de saúde do Irã relataram, segundo balanço mais recente, ao menos 35 mortos e mais de 300 feridos nos ataques mais recentes.

Consequências humanitárias e reação da comunidade internacional

O momento de maior tensão coincidiu com o funeral do líder supremo do Irã, morto em bombardeios anteriores dos Estados Unidos e de Israel, cujos restos mortais foram exibidos em cortejos por Teerã, pelo centro clerical de Qom e pelas cidades sagradas iraquianas de Najaf e Karbala. O ministro das Relações Exteriores do Irã classificou os novos ataques americanos como uma violação de acordo de entendimento firmado anteriormente entre os dois países, alertando publicamente contra o que descreveu como aventurismo militar adicional por parte de Washington.

Do lado das forças americanas, o governo dos Estados Unidos também confirmou ter atingido uma embarcação com bandeira de Curaçao, alegando que o navio seguia em direção à Ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo do Irã, e ignorou avisos anteriores. A tensão também gerou reações em países vizinhos: o Kuwait informou, por meio de comunicado oficial, que seus sistemas de defesa aérea confrontaram ataques de drones classificados como hostis, enquanto a Jordânia afirmou ter interceptado a totalidade dos mísseis balísticos disparados contra a base aérea de Muwaffaq Salti, no norte do país, sem registrar vítimas ou danos.

Impactos econômicos e o que observar nos próximos dias

O ressurgimento do conflito no Oriente Médio já provoca reflexos fora da região. Governos de diferentes países, incluindo nações europeias, monitoram com preocupação o impacto econômico da nova onda de ataques, avaliando os efeitos sobre os preços de combustíveis em um cenário já descrito como incerto e volátil. Até o momento, mercados financeiros e o preço do petróleo mantêm relativa estabilidade, mas analistas acompanham de perto qualquer sinal de fechamento mais duradouro do Estreito de Ormuz, rota por onde passa parcela significativa do petróleo comercializado globalmente.

A comunidade internacional segue sem uma posição unificada sobre como conter a escalada, enquanto Teerã reforça que qualquer nova ofensiva americana será respondida com ataques a outras bases dos Estados Unidos na região. O desenrolar dos próximos dias deve ser decisivo para definir se o conflito se estabiliza novamente em torno de um novo entendimento diplomático ou se caminha para uma fase ainda mais intensa de confrontos diretos entre as duas potências.

Fontes: Euronews | RTP Notícias

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