Adaptação do poema de Homero reúne Matt Damon, Anne Hathaway e Tom Holland em produção rodada inteiramente em IMAX 70mm.
Chegou às telonas brasileiras nesta quinta-feira, dia 16 de julho, o mais ambicioso projeto da carreira de Christopher Nolan até agora. “A Odisseia” adapta o poema épico atribuído a Homero e acompanha a jornada de Odisseu, vivido por Matt Damon, em seu longo retorno para casa após o fim da Guerra de Troia. O filme chega cercado de expectativa depois do sucesso de “Oppenheimer”, vencedor de sete Oscars, e já registra a maior aprovação da carreira do diretor no agregador Rotten Tomatoes, com 98% de avaliações positivas com base em mais de 160 críticas publicadas até o momento.
Rodado inteiramente com câmeras IMAX de 70 milímetros, algo inédito para uma adaptação desse tipo de obra literária, o longa tem orçamento estimado em 250 milhões de dólares e reúne um elenco extenso, com nomes como Anne Hathaway, Tom Holland, Zendaya, Charlize Theron, Robert Pattinson e Lupita Nyong’o.
Elenco, produção e os bastidores de uma superprodução
A escolha de Christopher Nolan por adaptar a Odisseia surpreendeu parte do público, já que o diretor é conhecido por tramas ambientadas em contextos mais realistas, como em “A Origem” e “Interestelar”. Segundo análises publicadas por críticos especializados, o cineasta optou por não abandonar sua assinatura autoral mesmo diante de um material carregado de mitologia grega, deuses e criaturas fantásticas. Em vez de adaptar seu estilo à obra, o caminho escolhido foi aproximar a Odisseia da própria filmografia de Nolan, mantendo a estrutura narrativa não linear como um dos pilares centrais do roteiro, assinado pelo próprio diretor.
A produção reuniu colaboradores históricos de Nolan, como o compositor Ludwig Göransson, responsável pelas trilhas de “Tenet” e “Oppenheimer”, e o diretor de fotografia Hoyte van Hoytema, parceiro do cineasta desde “Interestelar”. As filmagens aconteceram em diferentes locações ao redor do mundo e foram concluídas nove dias antes do prazo previsto, um dado que reforça a reputação de Nolan como um dos poucos diretores de Hollywood capazes de entregar projetos de grande escala dentro do orçamento e do cronograma. Antes da estreia, o filme também esteve no centro de debates públicos, sobretudo em razão de escolhas de elenco, como a escalação de Lupita Nyong’o para viver Helena de Troia e a presença de Elliot Page no time de atores, temas que geraram repercussão nas redes sociais nas semanas que antecederam o lançamento.
Recepção da crítica e expectativas de bilheteria
As primeiras impressões sobre “A Odisseia” foram divulgadas após a première mundial em Londres, e a reação predominante entre críticos internacionais foi de entusiasmo. Avaliações publicadas por veículos como o The New York Times destacam a capacidade de Nolan de humanizar personagens mitológicos, aproximando o público de uma história que, apesar de milenar, dialoga com temas contemporâneos como o trauma pós-guerra e o peso das decisões tomadas em nome do poder. Outros críticos, como Guy Lodge, do Variety, apontam que o filme, embora deslumbrante e tecnicamente impecável, mantém certa frieza narrativa, característica recorrente na obra do diretor.
No aspecto comercial, as projeções iniciais de bilheteria indicam que “A Odisseia” pode superar a arrecadação de estreia de “Oppenheimer” nos Estados Unidos, com estimativas que variam entre 97 e 132 milhões de dólares apenas no primeiro fim de semana norte-americano. Caso o número mais otimista se confirme, o longa se tornaria o maior lançamento doméstico da carreira de Nolan entre os filmes sem ligação com a franquia Batman. Estimativas de mercado também projetam uma arrecadação global que pode ultrapassar 800 milhões de dólares ao longo da temporada de exibição, patamar que colocaria a produção entre os maiores sucessos do ano nos cinemas.
Por que o filme já é cotado para a temporada de premiações
Passadas as primeiras exibições para a imprensa, parte da crítica especializada já aponta “A Odisseia” como um dos favoritos para a próxima temporada do Oscar, incluindo especulações sobre indicações nas categorias de melhor filme, direção e fotografia. A comparação com “Oppenheimer”, que também estreou em julho e terminou a temporada com múltiplas estatuetas, tem sido recorrente entre analistas do mercado cinematográfico, ainda que seja cedo para cravar repetições de resultado.
Para o público brasileiro, a estreia chega em um momento de forte movimento nos cinemas, já que julho reúne uma sequência de lançamentos de peso, incluindo produções nacionais e internacionais voltadas a diferentes perfis de espectador. Com sessões especiais em formato IMAX já disponíveis em salas selecionadas, “A Odisseia” desponta como o principal fenômeno de bilheteria do mês e reacende a discussão sobre o poder de atração de Christopher Nolan sobre o público de cinema, mesmo em uma era dominada pelo streaming.
Fontes: Rolling Stone Brasil | Omelete | Ingresso.com | Forbes Brasil
