Por que a governança deve ser reforçada antes da recuperação judicial? Entenda neste artigo

Por Diego Rodríguez Velázquez
Pedro Henrique Torres Bianchi

De acordo com Pedro Henrique Torres Bianchi, formado, mestre e doutor em Direito Processual pela USP, a governança é um dos pilares mais relevantes para empresas que avaliam a recuperação judicial como um instrumento de reorganização. Uma vez que a crise empresarial não se resolve apenas com a suspensão de cobranças ou com a apresentação de um plano formal, pois depende de informações confiáveis, decisões coordenadas e diálogo estruturado com credores.

Assim sendo, antes de ingressar em recuperação judicial, a empresa precisa demonstrar uma capacidade mínima de organização interna. Isso envolve controles financeiros, clareza sobre passivos, definição de responsabilidades e consistência nas projeções. Interessado em entender o porquê? Em seguida, veremos como a governança melhora a credibilidade da empresa e aumenta a qualidade do processo de reestruturação.

Por que a governança deve vir antes da recuperação judicial?

A recuperação judicial exige que a empresa apresente uma visão realista sobre sua situação econômica. Segundo o profissional com experiência na administração de empresas em situação de crise e no contencioso empresarial, Pedro Bianchi, sem governança, dados financeiros podem estar dispersos, contratos podem estar mal organizados e decisões importantes podem depender de improviso. Esse cenário reduz a confiança de credores, investidores, fornecedores e demais partes envolvidas.

Desse modo, a preparação prévia permite que a empresa entre no procedimento com maior domínio sobre seus números e prioridades. Isso não elimina a complexidade da crise, mas cria uma base mais sólida para negociar. Além disso, ela mostra que a administração compreende a gravidade do momento e busca uma solução responsável.

Como a organização interna melhora a credibilidade?

A credibilidade nasce da coerência entre discurso, documentos e conduta empresarial. Dessa forma, uma empresa que apresenta informações incompletas, muda versões com frequência ou não conhece seu passivo transmite insegurança. Por outro lado, controles internos consistentes demonstram comprometimento com transparência e previsibilidade.

Aliás, os credores tendem a avaliar não apenas a proposta de pagamento, mas também a capacidade de execução do plano. Nesse sentido, a governança funciona como um sinal de maturidade empresarial. Como ressalta Pedro Henrique Torres Bianchi, ela indica que a companhia possui mecanismos para acompanhar resultados, corrigir desvios e prestar contas durante a recuperação judicial.

Quais informações precisam estar bem estruturadas?

A qualidade das informações influencia diretamente a negociação. Inclusive, não basta reunir documentos de última hora; é necessário organizar os dados com uma lógica econômica, jurídica e operacional, pois a recuperação judicial envolve múltiplos interesses legítimos. Tendo isso em vista, entre os principais pontos que merecem atenção, estão:

  • Fluxo de caixa: permite compreender entradas, saídas, sazonalidades e necessidades imediatas de liquidez.
  • Endividamento: identifica credores, valores, garantias, vencimentos e natureza dos créditos.
  • Contratos estratégicos: mostra quais relações são essenciais para manter a atividade empresarial.
  • Ativos relevantes: ajuda a avaliar garantias, capacidade operacional e alternativas de geração de caixa.
  • Projeções financeiras: sustenta propostas de pagamento compatíveis com a realidade da empresa.
Pedro Henrique Torres Bianchi
Pedro Henrique Torres Bianchi

Essas informações reduzem ruídos e tornam o diálogo mais objetivo. Convém lembrar que elas ajudam a evitar planos genéricos, baseados apenas em alongamento de dívidas, conforme frisa Pedro Bianchi. Sem contar que a governança transforma dados soltos em um diagnóstico útil para decisões mais equilibradas.

Como a governança melhora o diálogo com credores?

O relacionamento com credores costuma ser um dos pontos mais sensíveis da crise. Quando há falta de informação, surgem desconfiança, resistência e disputas desnecessárias. Por isso, a comunicação deve ser clara, documentada e coerente desde a fase anterior ao pedido de recuperação judicial.

Pedro Henrique Torres Bianchi demonstra que os credores precisam compreender por que a empresa chegou à crise, quais medidas já foram adotadas e como o plano pretende preservar o valor. Essa clareza favorece uma negociação menos emocional e mais técnica. Também ajuda a separar inviabilidade estrutural de dificuldade temporária, ponto essencial para avaliar alternativas de reorganização.

A governança como a base para uma recuperação judicial mais consistente

Em última análise, a recuperação judicial deve ser vista como um instrumento legítimo de reorganização econômica, e não como simples adiamento de obrigações. Para cumprir essa função, precisa partir de um diagnóstico honesto e de uma estrutura interna capaz de sustentar decisões difíceis. A governança, nesse contexto, prepara a empresa para negociar com mais transparência e executar com mais disciplina.

Reforçar a governança antes da recuperação judicial aumenta a qualidade das informações, fortalece a credibilidade e melhora o diálogo com credores. Isto posto, a crise continua exigindo escolhas complexas, porém a empresa passa a enfrentá-la com método, responsabilidade e maior capacidade de preservar sua atividade econômica, como destaca Pedro Henrique Torres Bianchi.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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