A presença feminina no setor de tecnologia tem experimentado um crescimento notável ao longo dos últimos anos, mas ainda existem muitos desafios a serem enfrentados para alcançar a verdadeira equidade de gênero nesse campo. Embora o cenário atual já apresente sinais de evolução, com mais mulheres se destacando em áreas antes dominadas por homens, a luta pela equidade continua sendo uma jornada com obstáculos consideráveis. Neste artigo, exploraremos as conquistas das mulheres na tecnologia, os desafios que persistem e as soluções necessárias para garantir que o espaço das mulheres no setor continue a crescer de forma justa e equitativa.
Nos últimos anos, a participação feminina na área de tecnologia tem avançado significativamente, refletindo uma mudança positiva nas dinâmicas desse setor. Entre 2020 e 2023, a presença das mulheres no mercado de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) cresceu 7,7% ao ano, superando a taxa de crescimento dos homens. Hoje, as mulheres ocupam cerca de 39% das vagas no setor, um aumento considerável em relação ao passado. Porém, esse número ainda está longe da paridade, o que evidencia que a jornada para a equidade de gênero está longe de ser concluída. Embora o avanço seja notável, ele não se traduz necessariamente em igualdade de oportunidades ou reconhecimento.
Além do aumento na participação feminina, o cenário educacional também tem mostrado progresso. Nos últimos anos, as mulheres têm sido maioria nas universidades brasileiras, representando 88% das matrículas. Contudo, esse avanço não é igualmente refletido nos cursos de computação e tecnologia. De acordo com dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), apenas 13,3% das mulheres se matriculam em cursos de computação, e 21,6% ingressam em cursos de engenharia. Esse dado revela que, apesar do aumento nas matrículas em geral, a representação feminina nas áreas mais técnicas e avançadas da tecnologia ainda precisa de estímulos adicionais para crescer.
Apesar da crescente presença das mulheres nas áreas de tecnologia, as barreiras enfrentadas por elas no mercado de trabalho são muitas e persistem de maneira estruturada. A disparidade salarial é um dos problemas mais evidentes. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres ganham, em média, 22% a menos do que os homens, mesmo quando ocupam cargos semelhantes. Esse cenário reflete uma realidade de desigualdade que se estende por diversos setores da sociedade e que, na tecnologia, se manifesta de forma significativa, dificultando a trajetória de crescimento profissional das mulheres.
Outro desafio importante é a baixa representatividade feminina em cargos de liderança no setor de tecnologia. Apesar de avanços ao longo dos anos, as mulheres ainda ocupam apenas 29% dos cargos de diretoria, um número que, embora superior ao de 2015, quando era de 17%, ainda está longe da paridade. Isso se deve, em grande parte, a preconceitos inconscientes e à falta de programas de apoio à ascensão profissional das mulheres. Muitas vezes, as mulheres enfrentam uma cultura organizacional que subestima suas competências e dificulta seu crescimento. Esse cenário é particularmente desafiador para mulheres negras e indígenas, que enfrentam a interseção de discriminação racial e de gênero.
Nos últimos anos, várias mulheres têm se destacado como figuras inspiradoras e líderes no setor de tecnologia. Reshma Saujani, por exemplo, fundou a organização Girls Who Code, com o objetivo de ensinar programação para meninas e reduzir a desigualdade de gênero na computação. Seu trabalho ajudou milhares de meninas a entrarem no mundo da tecnologia, abrindo portas para um futuro mais inclusivo. Kimberly Bryant, por sua vez, fundou a Black Girls Code, uma organização que busca aumentar a presença de meninas negras na área de ciência da computação. Ambas as iniciativas têm sido fundamentais na criação de um ambiente mais inclusivo e na promoção da diversidade dentro do setor tecnológico.
Além de Reshma e Kimberly, Sônia Guimarães, uma pioneira brasileira, também desempenha um papel fundamental na luta por mais mulheres na ciência e tecnologia. Sônia foi a primeira mulher negra a se tornar professora no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e tem sido uma defensora incansável da inclusão de mulheres negras na ciência e tecnologia. Suas ações, tanto como pesquisadora quanto como mentora, têm inspirado inúmeras mulheres a seguir carreiras na área de STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática). Esses exemplos demonstram que, com apoio e oportunidades, as mulheres podem não apenas entrar no setor de tecnologia, mas também redefinir suas normas e moldar um futuro mais igualitário.
Para que a presença das mulheres no setor de tecnologia continue a crescer de maneira equitativa, é fundamental que sejam adotadas medidas eficazes. Primeiramente, é preciso garantir a igualdade salarial entre homens e mulheres no setor de tecnologia, estabelecendo políticas claras que assegurem a remuneração justa para trabalho igual. Além disso, é crucial incentivar a participação de meninas em cursos de STEM desde a infância, oferecendo programas educacionais que despertem seu interesse em áreas como ciência, matemática e computação. Tais iniciativas podem ajudar a diminuir a disparidade de gênero desde as bases da educação.
A criação de redes de apoio e programas de mentoria também desempenha um papel essencial no processo de desenvolvimento profissional das mulheres na tecnologia. Ao estabelecer conexões entre mulheres em diferentes estágios de suas carreiras, essas redes podem proporcionar apoio mútuo, orientação e oportunidades de crescimento. As empresas, por sua vez, devem adotar políticas de inclusão que envolvam treinamentos sobre vieses inconscientes e a implementação de metas de diversidade. Tais ações podem criar um ambiente corporativo mais justo e aberto à promoção da equidade de gênero.
Em resumo, as mulheres têm conquistado progressos significativos no setor de tecnologia, mas ainda há muito a ser feito para garantir a equidade de gênero nesse campo. A construção de um futuro mais inclusivo e diverso depende de ações coordenadas entre empresas, instituições educacionais, governos e a sociedade. Quando as mulheres são apoiadas, incentivadas e reconhecidas em suas carreiras tecnológicas, todos ganham, pois o setor se torna mais inovador e representativo. O futuro da tecnologia deve ser escrito por todas as vozes, sem exceção, e com a participação ativa das mulheres em todos os níveis do setor.
Autor: Roman Lebedev
Fonte: Assessoria de Comunicação da Saftec Digital