O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas renovou 15 cadeiras nesta terça-feira, 13, admitindo China, Cuba e Rússia pela primeira vez. A votação, contudo, rejeitou a Arábia Saudita, que também se candidatou. O trio de países ganhou cadeiras apesar dos questionamentos acerca de seus históricos com os direitos humanos.

A votação é organizada por regiões geográficas estabelecidas pelas Nações Unidas. Cuba e Rússia foram vitoriosas concorrendo contra um número insuficiente de adversários em seus grupos regionais.

A China, no entanto, enfrentou forte competição na região da Ásia-Pacífico, onde seis nações disputavam cinco vagas. O gigante asiático garantiu a última das cinco vagas – depois de países como Paquistão, Uzbequistão e Nepal. A Arábia Saudita não conseguiu a quantidade necessária de votos.

Também permanecerão na Comissão de Direitos Humanos pelos próximos três anos a Bolívia, Costa do Marfim, França, Gabão, Malauí, México, Reino Unido, Senegal e Ucrânia.

Várias organizações, como a ONG Human Rights Watch (HRW), pediram que os países com direito a voto não acolhessem as candidaturas da Arábia Saudita e da China, por considerar que ambos têm governos abusivos.

Louis Charbonneau, diretor da HRW, disse que o fracasso de Riad “é um lembrete bem-vindo da necessidade de mais competição nas eleições das Nações Unidas”. A ONG também chamou atenção para ataques recentes contra ativistas de direitos humanos e dissidentes, destacando o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi. 

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Khashoggi desapareceu em outubro de 2018, durante uma visita ao consulado saudita em Istambul, na Turquia. Autoridades locais revelaram que ele foi assassinado dentro do consulado por uma equipe saudita, que teria esquartejado o jornalista para retirá-lo do local. O corpo nunca foi encontrado.

“Se houvesse candidatos adicionais, China, Cuba e Rússia poderiam ter perdido também. Mas a adição desses países indignos não impedirá o conselho de lançar uma luz sobre os abusos e falar pelas vítimas”, disse Charbonneau.

Na semana passada, 39 países membros das Nações Unidas emitiram uma repreensão pública às violações de direitos humanos do governo chinês em Xinjiang, Hong Kong e Tibete. Também pediram à China que permita à alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, acesso irrestrito a Xinjiang, onde a China está sendo acusada de reprimir uma minoria muçulmana.

Países violadores de direitos humanos com frequência buscam representação no órgão sediado em Genebra, como meio de barrar agendas que investiguem infrações. Contudo, todos os estados membros das Nações Unidas são elegíveis para fazer parte do conselho, com mandatos de três anos.

Questionado sobre a prevenção da entrada países com maus antecedentes de direitos humanos no órgão, o porta-voz da ONU, Brenden Varma, disse que a responsabilidade pela defesa dos direitos humanos recai principalmente sobre as nações individualmente.

(Com EFE)

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