Quem encontra uma lata cheia de botões antigos, cena comum no universo de Cristiane Ruon dos Santos, colecionadora de objetos antigos, raramente sabe distinguir o que tem em mãos. Misturados, botões de osso, madrepérola, metal, vidro e plásticos antigos parecem semelhantes à primeira vista. Comparar os materiais, porém, revela a época de fabricação e ajuda a entender por que alguns exemplares despertam tanto interesse entre colecionadores.
Osso e madrepérola, materiais de origem natural
Os botões de osso estão entre os mais simples e antigos. Costumam ter quatro furos, cor creme ou amarelada e superfície levemente porosa, com pequenos pontos escuros visíveis de perto. Por serem baratos, eram usados em roupas íntimas, camisas de trabalho e peças do dia a dia. Muitos eram produzidos de forma artesanal, com furos feitos um a um, o que explica pequenas diferenças de tamanho e espessura entre exemplares do mesmo conjunto.
A madrepérola ocupava outro patamar. Extraída da camada interna de conchas, apresenta brilho iridescente, que muda conforme a luz. Ao toque, é fria e pesada para o tamanho. No verso, é comum perceber camadas sobrepostas e marcas de corte, sinais que ajudam a diferenciá-la das imitações plásticas, mais leves e de brilho uniforme.
Metal e vidro contam outras histórias
Botões de metal, sobretudo de latão e bronze, eram frequentes em uniformes militares, fardas escolares e roupas de trabalho. Muitos trazem brasões, iniciais ou nomes de fabricantes gravados no verso, informações que permitem identificar origem e período. Em acervos como os que interessam a Cristiane Ruon dos Santos, esses registros transformam o botão em documento histórico.
Os botões de vidro, por sua vez, ganharam fama pela variedade de cores e acabamentos. A região da Boêmia, na atual República Tcheca, tornou-se referência na produção de botões de vidro moldado e pintado. Mais pesados e frios que os plásticos, eles podem trazer detalhes em relevo, lustre metálico ou pintura aplicada à mão.

Baquelite e os primeiros plásticos
A baquelite, patenteada em 1907 pelo químico Leo Baekeland, foi o primeiro plástico totalmente sintético. Nas décadas de 1920 a 1940, tornou-se material popular para botões, com cores intensas como vermelho, verde e caramelo e formatos geométricos típicos do art déco.
Antes dela, o celuloide já era usado para imitar marfim e tartaruga, mas era leve e inflamável. Diferenciar os dois exige atenção. A baquelite é densa, produz um som seco quando dois botões se chocam e não apresenta a leveza dos plásticos modernos, que surgiram depois e dominaram a produção a partir da metade do século XX.
Como diferenciar botões antigos na prática?
Algumas observações simples ajudam. O peso na mão e a temperatura ao toque separam materiais naturais e vidro dos plásticos. A lupa revela marcas de ferramenta, porosidade do osso e camadas da madrepérola. Já rebarbas de molde e linhas de injeção indicam fabricação industrial moderna.
O sistema de fixação também dá pistas. Botões com haste metálica embutida, furos irregulares feitos à mão ou verso com marcas de fabricante tendem a ser mais antigos. Na perspectiva de quem acompanha coleções como as de Cristiane Ruon dos Santos, o conjunto de sinais pesa mais do que qualquer pista isolada. Quando a dúvida persiste, a comparação com catálogos de referência e acervos de museus têxteis ajuda a confirmar a datação.
O que define o valor de um botão antigo?
Raridade, material e estado de conservação pesam mais. Conjuntos completos, ainda presos ao cartão original de venda, costumam ser mais procurados do que peças avulsas. Botões com pintura manual, desenhos figurativos ou ligação com fatos históricos também se destacam. Em contrapartida, lascas, rachaduras e perda de pintura reduzem bastante o interesse, sobretudo em materiais frágeis como vidro e madrepérola.
Mesmo os exemplares de pouco valor comercial carregam informação. Para quem, como Cristiane Ruon dos Santos, reúne interesse por costura e por objetos de outras épocas, cada botão registra técnicas de fabricação, hábitos de vestir e mudanças de materiais ao longo de mais de um século.
