O virologista Paolo Zanotto, que estava presente na reunião paralela de aconselhamento ao presidente Jair Bolsonaro, negou ter conhecimentos de um “gabinete paralelo” e afirmou que o encontro foi pontual, com o objetivo de avaliar as vacinas contra a Covid-19. De acordo com ele, a expressão “shadow cabinet”, que na tradução literal significa gabinete paralelo, foi mal interpretada. Ele confirmou que o encontro foi solicitado pelos Médicos pela Vida e o governo aceitou. “O que foi feito ali foi uma sugestão de que o governo apontasse um grupo de pesquisadores de alto gabarito para servirem um serviço de revisão anônima das vacinas”, explicou o virologista.

Segundo ele, que nega ser contra a vacinação, isso era necessário naquele momento porque ainda se sabia muito pouco a respeito dos imunizantes. Paolo Zanotto disse que, recentemente, chegou a consultar advogados para saber se a consulta pontual configuraria algum crime e que, a princípio, nenhuma lei foi violada. “Esperávamos encontrar o ministro [da Saúde, Eduardo Pazuello], ele não estava. Mas nada foi escondido. Existe uma narrativa política, mas nada do que foi feito é inconstitucional.” Ele negou trabalhar para o governo e afirmou que não mantém contato com o presidente da República. “Antes, eu o vi uma vez falando ao telefone. Depois da reunião, nos falamos muito pouco.” Sobre uma possível convocação para depor na CPI da Covid-19, ele disse que acha que os senadores tem coisas mais importantes para fazer.