Um ano atrás, quando começou a ser pago, havia a expectativa de que o auxílio emergencial duraria apenas três meses, com um valor de R$ 600. Acabou se estendendo por três vezes este prazo e, ao terminar, em dezembro, estava fixado em R$ 300. Agora, três meses depois do último pagamento e com a epidemia da Covid-19 ainda pior, o benefício voltou com um valor menor. Serão quatro parcelas de R$ 150, R$ 250 e R$ 375, dependendo da família, pagas até julho a trabalhadores informais e beneficiários do programa Bolsa Família. No caso do valor mais alto, só se a beneficiária for mãe e ao mesmo tempo a provedora do lar. O calendário começou com o pagamento, nesta terça-feira, 6, dos nascidos em janeiro, que recebem a primeira parcela. Até domingo, receberão aqueles nascidos em fevereiro e março.

Além de ter o valor reduzido, o auxílio emergencial também será pago a menos beneficiários. Na versão de 2021, 45,6 milhões de pessoas devem receber o benefício, segundo o Ministério da Cidadania. São 22,6 milhões a menos do que os 68,2 milhões do programa no ano passado. Foi a solução do governo para, com as contas públicas na UTI, poder voltar com o programa. Enquanto o custo em 2020 foi de R$ 294 bilhões, este ano caiu para R$ 44 bilhões. Praticamente o que se gastava por mês um ano atrás. Não se espera, por isso, o mesmo impacto na economia. Em 2020, o auxílio teve um impacto positivo de 2,5% no Produto Interno Bruto (PIB), segundo estudo da Universidade Federal de Pernambuco. Apesar do PIB mesmo assim ter caído 4,1% no ano, evitou uma queda da atividade que poderia ter transformado a pandemia numa tragédia econômica. Agora, o efeito esperado é menor. A Oxford Economics calcula o ganho em 0,2% do PIB.

Houve muita pressão para a volta do auxílio emergencial partindo do Centrão, grupo de parlamentares do Congresso que apoia o governo. Assim como haverá em julho, quando chegar a última parcela, já que a lei que recriou o benefício permite a prorrogação. A piora da pandemia sem que a economia se recupere tornam inevitável as novas rodadas de gastos. Mas o valor, e também a quantidade de beneficiários menores no pior momento da pandemia, com três mil mortos diariamente, são sinal de que foi um programa mal desenhado. Custou demais e, sem critério, incluiu gente demais. Volta enxuto por falta de dinheiro. E com menos possibilidade de proteger quem precisa ser protegido. Um programa mais focado e com valor menor, como aliás, queria o Ministério da Economia, poderia ter beneficiado os mais vulneráveis à pandemia por mais tempo.