Até agora, mais de 20 milhões de brasileiros tomaram as duas doses da vacina contra a Covid-19, ou seja, cerca de 10% da população. Na dúvida se a vacina realmente funcionou, muita gente tem recorrido aos testes sorológicos, que são aqueles que detectam a presença de anticorpos contra o coronavírus no sangue. Porém, a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a exemplo do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, não recomenda a realização do exame para avaliar a resposta imunológica às vacinas. Isso porque nem todos os testes trarão resultados precisos e, por isso, podem causar mais confusão e insegurança do que realmente ajudar no controle da pandemia.

“A gente não conhece o que se chama de correlato de proteção. Ou seja, qual a quantidade de anticorpo que eu posso considerar como a quantidade de anticorpo que é protetiva. Além do que a nossa resposta imune é muito mais complexa do que só anticorpo. É toda uma cadeia de eventos, várias células que trabalham ali para nos dar proteção. Anticorpo é importante, sim, mas a gente também tem a imunidade celular que é feita às custas dos linfócitos, os famosos CD4 e CD8, que têm um papel importantíssimo e que eu não consigo verificar essa resposta com o exame de sorologia”, explica a diretora da SBIm, Flávio Bravo. Outra preocupação é em relação às variantes do coronavírus, já que não se sabe ao certo se as vacinas disponíveis realmente protegem contra as novas versões da doença.

Embora a dosagem de anticorpos não seja recomendada para a população em geral, o presidente regional da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica, no Rio de Janeiro, Helio Magarinos, esclarece que o procedimento pode ser indicado em situações específicas. Até mesmo para avaliar se haverá necessidade de uma terceira dose no futuro. “Pacientes idosos, pacientes que têm algum tipo de imunossupressão, ou até pacientes que estão em contato de risco o tempo todo, como profissionais de saúde que continuam em contato com o vírus. Esses, às vezes, precisam saber se realmente produziram anticorpos ou não, se estão mais protegidos ou não. Então, para esses casos, existe uma indicação, apesar de não formal, de que pode ser que seja interessante, sim”. Nestes casos, segundo o especialista, a recomendação é que o teste sorológico seja feito, no mínimo, três semanas depois da segunda dose da vacina. Tá Explicado? 

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