Sérgio Zeitunnan é proprietário de uma rede de lojas de roupa. No auge da pandemia, o empresário conta que precisou demitir cerca de 200 funcionários. Com as novas restrições, ele não sabe se vai conseguir manter o funcionamento de todas as lojas. “A gente não tem nenhum tipo de subsídio, ajuda, absolutamente nada. E para piorar a situação, sem previsibilidade nenhuma porque a cada semana as coisas vão acontecendo e a gente não se programa.”

De acordo com um levantamento feito pela Associação Brasileira de Shopping Centers em parceria com a Associação dos Lojistas de Shopping, se a atual fase emergencial do Plano São Paulo for prorrogada, os lojistas do Estado vão demitir 55 mil pessoas. Cerca de 84% dos empresários trabalham com essa projeção. O governo de São Paulo vai anunciar nesta sexta-feira, 9, uma nova reclassificação de flexibilização da quarentena. Após semanas na fase emergencial, empresários esperam um alívio nas restrições. Tudo vai depender da situação do sistema de saúde — que viu uma melhora, mas ainda continua pressionado.

O presidente da Associação Brasileira de Shoppings Centers, Glauco Humai, ressalta que São Paulo tem 181 shoppings e todos estão fechados desde o dia 6 de março. Humai questiona os motivos que levam o Estado a caminhar para ser um dos únicos a manter seus empreendimentos fechados. “Por que que São Paulo não consegue melhorar os índices? por que que São Paulo não consegue voltar a abrir o comércio? O que está acontecendo em outros lugares que não consegue fazer aqui?”

A Abrasce considera as perdas irreparáveis após queda de 32% no faturamento em 2020 e um recuo de 30% no início deste ano. “Ou se fecha toda a economia, todas as atividades por um período de tempo, o que o governador parece não ter muito interesse. Ou então teremos que rever essa seletividade e ajudar as empresas que estão fechadas.” No Brasil, dos 601 shoppings existentes 340 estão abertos com restrições de funcionamento.

*Com informações da repórter Caterina Achutti