Apesar da surpresa positiva trazida pela alta de 1,2% no Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, a crise da pandemia ainda não acabou para o Brasil. O crescimento de janeiro a março pode ter superado igual período em 2020, mas no saldo de 12 meses a economia ainda recua 3,8%. Para um grupo de sete países, no entanto, a queda do PIB no começo de 2020 já ficou no passado. China, Turquia, Lituânia, Irlanda, Coreia Do Sul, Rússia e Estados Unidos atingiram ou já registravam em maio um PIB per capita nos mesmos patamares do início da crise, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). No grupo, a economia chinesa foi a única importante a se recuperar ainda em 2020. Zerou as perdas no primeiro semestre e ainda cresceu 2,3% no ano. Efeito de estímulos, mas, principalmente, da política bem sucedida de contenção do vírus, que permitiu um rápido retorno à normalidade, mesmo caso da Coreia do Sul. A maior potência econômica do planeta, os Estados Unidos usaram um gigantesco programa de gastos para também se colocar de volta ao caminho do crescimento. Já a Rússia foi um dos primeiros países a vacinar contra a Covid-19.

Até agosto, segundo a OCDE, a recuperação também virá para o Chile, Finlândia, Japão, Luxemburgo, Letônia, Noruega e Polônia. E a partir de outubro, para Alemanha, Suécia, Índia, Nova Zelândia e outros países, inclusive o Brasil. A organização prevê que a economia brasileira, turbinada por um começo de ano mais forte, deve zerar as perdas antes de dezembro. Agora, se um grupo deixar primeiro a crise, para economias importantes a virada ainda deve demorar. Bélgica, Espanha e México só devem zerar as perdas no final do ano que vem. A Arábia Saudita, só no começo de 2023. E há dois casos especialmente dramáticos: África do Sul e Argentina. São duas economias com alto endividamento público, maior do que o brasileiro, e que foram mal no combate à Covid-19, apesar do longo lockdown adotado pelo governo argentino, que feriu a economia, mas não conteve a alta de casos, e foi desrespeitado pela população. No caso dos sul-africanos, recuperação só no começo de 2024. Já a Argentina enfrentava uma crise fiscal e econômica antes da pandemia. A OCDE só prevê recuperação para o país no final de 2025. Bem depois do fim previsto para a própria pandemia.