A possível chegada da cardiologista Ludhmila Hajjar para comandar o Ministério da Saúde movimentou o governo federal nos últimos dias. Ela substituiria o atual ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que viu um aumento de pressão pela sua saída por conta do aumento do número de mortes causados pela Covid-19 e pelas promessas não cumpridas em relação ao cronograma da vacinação no Brasil. Entretanto, conforme mostrou a Jovem Pan, Ludhmila recusou o convite do presidente Jair Bolsonaro para assumir o ministério. O nome dela tinha o apoio e respaldo de diversas figuras políticas, entre elas o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). Após a divulgação de um encontro da cardiologista com Bolsonaro, na tarde de domingo, 14, Lira foi ao Twitter afirmar que, caso fosse nomeada, estaria “à inteira disposição”. Ludhmila foi vítima de ataques nas redes sociais por defender medidas de isolamento social e ser contra o uso de medicamentos que não possuem comprovação científica.

Ao falar sobre o tema durante sua participação no programa 3 em 1, da Jovem Pan, o comentarista Rodrigo Constantino disse não ver sentido na conversa de Bolsonaro com Ludhmila e afirmou que, caso fosse nomeada, a cardiologista “seria um Mandetta de saia” no ministério, fazendo referência ao ex-ministro da Saúde. “Para ir contra o presidente Bolsonaro vale tudo. Se aconteceu da forma que a imprensa está relatando, e tem muita fofoca e muita intriga, é um erro do presidente ter aceitado ir conversar com alguém com o perfil dessa médica, dessa cardiologista. Alguém que, inclusive, participou daquele estudo em Manaus com uma superdosagem de cloroquina para concluir que cloroquina não funciona. Um estudo criticado do começo ao fim por qualquer pessoa séria. Não dá para entender isso, a menos que seja uma pressão muito grande do Centrão e, por uma questão de governabilidade, ele teve que aceitar pelo menos conversar e deu nisso ai”, disse Constantino, que continuou, dizendo que os gestos do presidente ajudaram a criar uma narrativa prejudicial para ele mesmo. “(A negativa de Ludhmila) Levantou a bola para uma narrativa da imprensa e da própria doutora, que é muito próxima até do Maia, criar essa coisa do tipo ‘eu sou um quadro técnico e o presidente não aceita ou eu não aceito participar do governo porque é um obscurantista que se vira contra a ciência’. E ai qual é a ciência? É isso ai, é fechar tudo. Ela no ministério seria um Mandetta de saia, essa é a impressão que está ficando após as entrevistas que a própria doutora Ludhmila concedeu”, disse.  “É boa notícia que ela não tenha ido, não tenha aceitado ou o convite não tenha sido tão firme”, concluiu o comentarista.

Constantino disse ainda que “manter o que o Pazuello vem fazendo” não seria uma má escolha do governo Bolsonaro e disse que ele está “fazendo um bom serviço” no cargo. “O Pazuello já disse que por ele não sai e eu acho que vem fazendo um bom serviço e acabou de dizer que o Brasil é o quinto país que mais vacinou no mundo em um ambiente em que falta vacina”, afirmou o comentarista, que também falou sobre a suspensão do uso da vacina de Oxford em países europeus. “A Europa está suspendendo a Oxford, a vacina que foi a nossa escolhida junto da Fiocruz. Então, a Itália já entrou no hall de países que suspenderam por problemas de coágulo e tudo mais. Veja que tudo isso é experimental”. Por fim, Constatino criticou o governador João Doria (PSDB) por suas acusações contra Bolsonaro” e pediu menos politização da pandemia. “O governador João Doria, que tem um estado que ele administra que está pior do que a média nacional, querendo levar o presidente para tribunais internacionais por genocídio. Quer dizer, é tudo politicagem. Como o próprio Arthur Lira disse, já que ele agora é querido pela mídia, é preciso despolitizar um pouquinho essa pandemia”, disse Constantino.

Confira a íntegra da edição do programa 3 em 1 desta segunda-feira, 15: