Bruna Amorim, de 26 anos, mora com o marido e o filho em Lisboa, em Portugal, desde junho 2018. O casal foi para trabalhar e ter uma experiência fora do Brasil. Com a intenção de voltar de vez para Franca, no interior de São Paulo, eles estão apreensivos de não conseguir embarcar — já que existe a possibilidade do governo português prorrogar o confinamento. Com passagens compradas para o dia 20 de fevereiro, Bruna teme pelo adiamento da passagem — o que prejudicaria seu marido, que tem data para começar no novo trabalho.

“A incerteza é muito grande, né? Se vamos conseguir voltar. Assim como eu, temos um grupo de brasileiros na mesma situação. Temos mais de 100 pessoas na mesma situação que nós, aflitos com a mesma questão, sem emprego. E o que a gente pretende é a abertura desses voos visto que já temos todos passagem comprada.” A estudante de Engenharia e Informática Sabrina Rezende, de 18 anos, mora a dois anos e três meses em Lisboa. Ela está com passagem de volta comprada desde setembro para o dia 11 de fevereiro, mas o voo já foi suspenso.

Com complicações na boca e precisando voltar para ser atendida no Brasil, já que lá é bem mais caro, Sabrina pede ajuda ao governo para poder retornar. “Sou uma das brasileiras afetadas pela questão dos voos de Portugal para o Brasil. Nosso consulado e embaixada não querem fazer nada por nós, só dão respostas automáticas. Únicos voos permitidos são humanitários e já falaram que não vão fazer. Tem gente que perdeu casa por questão de saúde, financeiro.” Brasileiros em outros países da Europa, como no Reino Unido, vivem a mesma situação. Segundo o Conselho de Cidadania de Brasileiros no Reino Unido, cerca de 3 mil brasileiros estão tentando voltar para o Brasil e não conseguem.

*Com informações do repórter Victor Moraes