Santiago e toda a sua região metropolitana serão colocadas em quarentena para conter a transmissão do novo coronavírus a partir de sábado, 27. A decisão foi anunciada pelo Chile nesta quinta-feira, 25, como consequência da segunda onda de casos de Covid-19, que vem acontecendo desde dezembro do ano passado e se agravou depois de fevereiro. A crise ameaça levar os hospitais da capital ao colapso: nos últimos dias, o país bateu recordes de casos diários, que passaram de 7 mil nas últimas 24 horas, e a capacidade hospitalar está em situação crítica, com 95% dos leitos de unidades de terapia intensiva (UTI) ocupados. Com quase 19 milhões de habitantes e mais de 5,5 milhões de pessoas vacinadas com pelo menos uma dose, o Chile é o país com a terceira maior percentagem da população imunizada contra a Covid-19 e o que realiza o processo de vacinação mais rapidamente, de acordo com dados da Universidade de Oxford. “A vacina é uma luz de esperança. No entanto, só teremos o efeito de rebanho em junho. Antes disso, temos que continuar tomando cuidado porque temos uma alta circulação viral”, explicou o ministro da Saúde, Enrique Paris. “Estamos vivendo uma situação preocupante e necessitamos um último esforço”, reiterou.

Atualmente, o Chile está com 74% da sua população confinada e um total acumulado de 954.762 contágios, além de 22.524 mortes pela Covid-19. O país vem sofrendo graves dificuldades econômicas em resultado das medidas restritivas. Ao todo, 81.643 famílias chilenas estão vivendo em acampamentos irregulares atualmente, número 74% maior do que em 2019. O Cadastro Nacional de Acampamentos 2020-2021, elaborado pela TECHO-Chile e pela Fundación Vivienda, se concentra em unidades sócio-territoriais de oito ou mais famílias que estão em situação irregular e de posse de terra e não têm acesso a pelo menos um dos serviços básicos: saneamento, água potável ou eletricidade. Só a Região Metropolitana de Santiago, que entrará em quarentena nos próximos dias, possui 28,8% desses assentamentos.

Chilenos querem adiar as eleições

Uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira, 22, indicou que 62% dos chilenos preferem adiar as eleições previstas para acontecer entre os dias 10 e 11 de abril devido à segunda onda da pandemia do novo coronavírus. Nesse pleito, a população elege prefeitos, governadores e membros da assembleia que se encarregarão de redigir uma nova Constituição. A votação estava inicialmente planejada para um só dia, mas acabou sendo dividida em dois para evitar aglomerações e longas filas em meio à pandemia. No entanto, a opção de adiar as eleições não recebeu apoio nem consenso entre o governo e a oposição até agora. Enquanto isso, a aprovação da gestão da pandemia por parte do governo é de 45%, o que implica uma queda de 13 pontos percentuais em comparação com fevereiro, quando atingiu o seu pico dias após o início da campanha de vacinação em massa.

Novas restrições a viajantes

As autoridades do Chile também decretaram que todos os viajantes vindos do exterior deverão apresentar resultado negativo para um RT-PCR negativo, permanecer cinco dias em um hotel, ser submetido a outro exame RT-PCR e passar mais cinco dias em quarentena domiciliar. Segundo as autoridades locais, nos últimos dias foram confirmados ao menos cem casos das variantes britânica e brasileira do Sars-Cov-2, causador da Covid-19.

*Com informações da EFE