A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta quarta-feira, 10, que o composto de Oxford é segura e eficaz contra a Covid-19 e deve ser aplicada, inclusive, em pessoas com mais de 65 anos. Segundo a organização, ainda serão necessários mais dados sobre a eficácia da vacina neste grupo específico, mas os atuais resultados já demonstram que as respostas imunológicas em pessoas idosas são semelhantes às de outras faixas etárias. A OMS disse ainda que recomenda a aplicação do imunizante, que é produzido em conjunto com a AstraZeneca, em países com circulação de novas variantes do coronavírus, sem qualquer razão para suspensão do uso.

A declaração da organização acontece após a África do Sul interromper a vacinação com o imunizante depois de um estudo, feito com poucas pessoas, revelar proteção de apenas 10% para casos graves da doença. No entanto, segundo o infectologista Renato Kfouri, neste momento, não dá nenhuma contraindicação aos compostos. “As vacinas têm eficácia sobre todas as variantes. Eventualmente, os estudos vão demonstrar se para alguma variante a eficácia pode ser maior ou menor.  Até o momento não há nenhuma justificativa que nos faça não utilizar essas vacinas em função de uma não eficiência para uma cepa circulante”, explicou. Segundo a Organização Mundial da Saúde, as mutações detectadas na variante p1 podem reduzir a neutralização de anticorpos. Entretanto, para confirmar o fato, serão necessários testes envolvendo a cepa do coronavírus. A OMS alertou ainda sobre o avanço da variante em Manaus, que saltou de 52% em dezembro para 85% em janeiro. Apesar do salto, a organização vê que a segunda onda da Covid-19 começa a apresentar sinais de declínio.

Vacinação no Brasil

Em meio aos debates sobre a imunização, profissionais de saúde visitaram a comunidade Nossa Senhora do Livramento, nas margens do Rio Negro, próxima de Manaus, para aplicar a vacina de Oxford contra a Covid-19 em membros idosos de comunidades ribeirinhas. A dona de casa Sueli de Souza lembrou dos momentos difíceis de solidão por causa da pandemia. “O isolamento, a solidão, pode ser que agora com a vacina as coisas melhores, as coisas possam acabar para o mundo todo, a gente vive mais um pouco sem agonia”, disse. Outra imunizada foi a aposentada Olga Pimentel. Aos 72 anos, ela recebeu a vacina dentro de um barco e disse que se considera uma mulher de sorte por ter sido imunizada. “É fundamental a vacina. É a primeira e grande barreira que nós temos agora, a vacinação tem que ser em massa. Infelizmente as doses são poucas, [apenas] para alguns privilegiados, como eu.”

A  diretora da unidade de saúde do livramento, Carmen Helena, disse que, para garantir a adesão dos idosos da região, foi preciso fazer um trabalho de conscientização. “Nós tivemos algumas resistências em relação a alguns idosos. Mas com o apoio dos nossos médicos, que chegaram a fazer visitas falando os benefícios da vacina, eles acabaram cedendo e a aceitação está sendo muito boa”, disse. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) informou que o início do processo de produção da vacina de Oxford está previsto para esta sexta-feira, 12. A instituição deve entregar 2,8 milhões de doses ao Ministério da Saúde até o dia 19 de março e outras 14 milhões até o fim do mesmo mês.

*Com informações da repórter Caterina Achutti