O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, acredita que falta, por parte da Organização Mundial da Saúde (OMS), o posicionamento de uma plataforma de comparação de experiência e fornecimento de possibilidades. De acordo com ele, falta informação e comparação. “A OMS deu sinais diferentes em diferentes momentos e criou a impressão que ela comanda o mundo da saúde de maneira única. Houve problema de percepção mundial em relação a OMS e da própria OMS. Falta uma comparação. Em certos países, certos casos, talvez lockdown não seja a melhor coisa, por exemplo”, afirmou o chanceler.

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, o chefe do Itamaraty falou também sobre sua ida a Israel no próximo fim de semana para falar sobre um “spray contra Covid-19” que mostrou bons resultados em estudos preliminares. Segundo Araújo, nessa visita ele terá contato com três instituições de pesquisa israelenses. “Queremos trazer para cá parte dos testes desses medicamentos e ter preferência no fornecimento caso eles se mostrem eficazes. A expectativas são muito boas, de quase 100% de eficácia.” Para ele, esse é o momento de buscar uma alternativa de tratamento.

Ernesto Araújo disse que a pandemia afetou a capacidade de pensar e racionar, já que agora tudo é politizado. “Eu acho que uma das grandes vitimas da Covid-19 tenha sido essa proibição de pensar. O que a gente defende é que haja liberdade de informação e troca de ideias. O pensamento conservador que a gente defende, baseado na experiência individual. Eu acho que é fundamental a liberdade de expressão e é isso que está faltando. Quem sugere diferente é demonizado.” Para o chanceler, muito coisa boa está sendo banida. “Uma consequência para o coronavírus é não deixar circular ideias, teorias e estudos que falam de determinadas terapias possíveis e problemas do isolamento. Faz parte desse processo essa comparação.”

Para o ministro das Relações Exteriores, há muita imagem negativa a partir do Brasil no exterior porque existem “grupos que querem uma má relação nossa com os Estados Unidos” — o que ele negou estar acontecendo. “Mas temos uma ótima relação, já tivemos excelentes contatos com o governo Biden. Temos uma agenda positiva, de continuidade, defesa da democracia, combate ao crime”, explicou. Ele lembrou que assuntos do meio ambiente já foram usados com esse mesmo propósito. “Alguns setores tentar vender uma imagem ruim, se valem da pandemia para criar uma imagem do Brasil lá fora. Existem dois problemas: a falta de informação e a desinformação. Tentamos suprir o primeiro com a realidade, mas a desinformação é mais complicado. O ritmo de vacinação é equivalente ao de países desenvolvidos, enfrentamos os mesmos desafios. Não existe colapso”, deu como exemplo.