Em São Paulo, a volta às aulas presenciais teve até super-herói medindo a temperatura para chamar a atenção das crianças para os protocolos sanitários. Apesar das regras de saúde, os pais continuam desconfiados. É o que aponta dados divulgados pela secretaria Estadual de Educação: apenas 60% dos alunos previstos para a primeira semana presencial compareceram. Um sistema inteligente de monitoramento foi desenvolvido para acompanhar os casos da Covid-19 na rede de ensino. O Simed contabilizou 741 casos confirmados da doença desde janeiro em escolas da rede estadual, particular e municipal. Destes 456 casos foram nas escolas do estado, sendo 77 na primeira semana de aula.

Mesmo os números, o secretário de educação, Rossieli Soares, garante que as escolas estão preparadas com os protocolos e que os cuidados estão sendo tomados. “A maioria dos casos que surgiram são os chamados casos únicos, ou seja, somente um caso na escola. Ele [aluno] não pegou na escola, pega na comunidade que é o reflexo daquilo”, disse. Apesar disso, das mais de quatro mil instituições do estado, nove tiveram as atividades interrompidas por suspeita de transmissão. O governo diz que o número de casos é muito pequeno, mas que ainda não é possível fazer uma avaliação da Covid-19 no ambiente escolar.

Os primeiros dados trazem um pouco de tranquilidade para os pais. Os números mostram que a incidência de casos confirmados é maior entre adultos: servidores, funcionários, professores. Nas escolas do estado, por exemplo, dos 456 casos confirmados, 83 eram estudantes. O pediatra Marco Aurélio, que integra a equipe de monitoramento, lembra que em outros países se observa que a transmissão é menor entre as crianças. “Em relação à transmissibilidade de crianças e adultos, os dados também com consistentes no mundo tempo e ao longo desse ano da pandemia e mostram que crianças têm menor poder de transmissão do que adultos de uma forma geral. Os estudos sugerem que a carga viral de transmissão aumentam conforme a idade do indivíduo e, com isso, as crianças estão têm menos impacto na transmissão.”

*Com informações da repórter Carolina Abelin