O diretor médico da Moderna, François Nader, demonstrou preocupação com a velocidade na qual o Brasil está imunizando a população e garantiu a eficácia da vacina contra a Covid-19 frente às cepas de Manaus e do Reino Unido.”Infelizmente o Brasil não está indo em uma boa direção no combate ao vírus. O que podemos assegurar é que a vacina da Moderna está se mostrando eficaz contra as variantes do Brasil e do Reino Unido, embora o mesmo não aconteça com a variante da África do Sul. Por isso, sugiro que o governo brasileiro nos acione o mais rápido possível”, disse nesta terça-feira, 30, durante participação em um webinário promovido pela Câmara de Comércio Brasil-Líbano.

Até o momento, são promissores os resultados relativos à eficácia da vacina produzida pela Moderna. Segundo estudo publicado no New England Journal of Medicine, o imunizante possui 94,1% de eficácia frente ao vírus. Já uma pesquisa desenvolvida pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) apontou que, apesar de exigir a aplicação de duas doses, a vacina já garante 80% de proteção contra a doença após a primeira dose. Diante do rápido espalhamento da Covid-19 no mundo, Nader explicou que a equipe da Moderna agilizou os estudos e, entre o sequenciamento do vírus e os primeiros testes em humanos, necessitou apenas de 63 dias para desenvolver o imunizante.

“Em janeiro de 2020, o sequenciamento do vírus foi dividido com o mundo pela China. Dois dias depois, no fim de semana, os cientistas da Moderna sequenciaram a vacina. Uma tecnologia impulsionada por imigrantes, pelos nossos cientistas. Três semanas depois o imunizante estava pronto, e no dia 24 de fevereiro começaram os testes em humanos. 63 dias de processo. Isso é inédito na história da humanidade.” Segundo o Ministério de Saúde, o Brasil já acordou a compra das vacinas da Moderna, mas a chegada das 13 milhões de doses está prevista apenas para o segundo semestre deste ano. Com a disseminação das novas cepas, o país vivencia o pior momento da pandemia. Ainda nesta terça-feira, 30, o Brasil atingiu a marca recorde de 3.780 mortes por Covid-19 em 24 horas, alcançando 12.658.109 contaminados e 317.646 mortos pelo vírus.