A ministra da Saúde do Peru, Pilar Mazzetti, renunciou neste sábado, 13, depois da revelação de que o ex-presidente Martín Vizcarra recebeu a vacina chinesa Sinopharm contra a Covid-19 durante um teste clínico, quando era chefe de estado. A revelação gerou um alvoroço político no país por causa das acusações de que Vizcarra furou a fila para obter uma vacina, levando parlamentares da oposição no Congresso a dizer que destituiriam a ministra da Saúde, que também foi ministra de Vizcarra. Ela disse que não sabia quem havia participado do teste.

A renúncia da ministra da saúde do Peru ocorre em um momento em que o país enfrenta outro aumento nas infecções por coronavírus, que sobrecarregam hospitais e já provocaram elevação no número diário de mortes. O Peru começou a distribuir vacinas da Sinopharm para profissionais da área médica nesta semana, depois que o primeiro lote de 300.000 vacinas chegou ao país em um voo comercial. Outras 700.000 doses chegaram nesta sexta-feira, 12. O Peru tem acordo com a Sinopharm para receber 38 milhões de doses de sua vacina.

Vizcarra, que concorre a uma vaga no Congresso nas eleições deste ano, disse que participou como voluntário no teste clínico de outubro supervisionado pela Universidade Cayetano Heredia de Lima, um mês antes de ser deposto pelo Congresso. O impeachment desencadeou uma crise política. Legisladores retiraram Vizcarra por acusações de corrupção que ele nega. A esposa de Vizcarra também recebeu a vacina em outubro, no palácio presidencial, segundo o jornal Peru.21, que divulgou a notícia pela primeira vez. Pilar Mazzetti foi substituída neste sábado por Óscar Ugarte, médico e ex-ministro da Saúde. Ugarte é o quinto ministro da saúde do Peru desde que a pandemia de covid-19 atingiu o país, no ano passado. O Peru tem sido um dos países mais afetados do mundo pela epidemia, com mais de 43 mil mortes confirmadas e a segunda maior taxa de mortalidade per capita da América Latina, depois do México.

*Com informações do Estadão Conteúdo