Organizada pelo Movimento Acredito, a ação que montou outdoors com mensagens críticas à ação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no enfrentamento ao novo coronavírus tem causado polêmica entre apoiadores e opositores do governo federal. Entre os 25 cartazes distribuídos por São Paulo e Minas Gerais, ao menos dois foram destruídos menos de 24 horas após serem instalados. Em Mogi das Cruzes, cidade onde os outdoors instalados foram depredados, a empresa que montou os cartazes concordou com a ação desde que os suportes fossem de ferro, a fim de minimizar a possibilidade de danos. Uma das peças publicadas localizava-se no Centro Comercial da cidade, a 15 metros de altura.

Para que a ação acontecesse, críticos ao governo doaram R$ 50 mil ao Acredito por meio de vaquinhas online. Segundo o movimento, a maioria das empresas procuradas se recusou a instalar os outdoors – algumas por medo de represálias e danos às estruturas do cartaz e outras por terem o governo federal como cliente. Por exemplo, em São Paulo, onde oito outdoors ainda serão instalados, 80 empresas foram acionadas, mas apenas três aceitaram o trabalho devido ao medo de depredação das estruturas e preocupação de perseguição jurídica. Para o Movimento Acredito, o protesto via outdoors configura-se como uma estratégia para atingir um público amplo, localizado fora das redes sociais. “Se tivesse vacina, o comércio estaria aberto. Mas não teve”, “Cemitérios cheios. Geladeiras vazias. Bolsonaro é o culpado!” e “Esse governo é uma zona. O Brasil não aguenta mais! Jair! Pede pra sair!”, estão entre as mensagens carregadas pelos cartazes.