A falta de insumos ainda é um gargalo para a indústria brasileira e faz com que os empresários adiem as expectativas de normalização da cadeia de produção para o segundo semestre de 2021, ou apenas para 2022, apontam dados da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) divulgados nesta sexta-feira, 8. Segundo um levantamento feito em fevereiro com 1.782 empresas, as dificuldades para a compra de matéria-prima nacional atingem 73% da indústria geral, que compreende os setores extrativos e de transformação. Já na construção civil, o índice é de 72%. Os dados são semelhantes aos registrados em novembro de 2020, quando 75% e 72%, respectivamente, observaram esse problema. Já para a compra de insumos importados, 65% das empresas da indústria geral estão com dificuldades, mesmo se dispondo a pagar mais caro pelo material. O índice sobe para 79% para o setor de construção civil.

A extensão das dificuldades levou empresários a rever as expectativas para a normalização das atividades. Em novembro do ano passado, 51% das empresas de indústria geral e 49% de construção apostavam na recuperação ainda no primeiro trimestre de 2021. Em fevereiro, este índice encolheu para 6% e 9%, respectivamente. Já a estimativa de retomada para o segundo semestre deste ano passou de 42% na indústria geral em fevereiro, ante 12% em novembro passado, enquanto na construção a mudança de perspectiva no segundo semestre passou para 53% em fevereiro, contra 12% em novembro. Mais pessimistas, o número de empresários da indústria geral que enxergam melhorias apenas em 2022 agora é 14%, ante 4% no fim de 2020. Na construção civil, a perspectiva passou de 4% em novembro para 5% em fevereiro.

Robson Braga de Andrade, presidente da CNI, afirma que esse desalinhamento da indústria ainda é resultado das incertezas que a economia global passou no ano passado por conta da pandemia do novo coronavírus. “A compra de insumos pelas empresas foi cancelada e os estoques foram reduzidos, um movimento que atingiu praticamente todas as empresas das cadeias de produção. A rápida retomada da economia no segundo semestre de 2020 não pode ser acompanhada no mesmo ritmo por todas as empresas, o que gerou dificuldades nos diversos elos da cadeia.” A forte desvalorização do real ante o dólar também torna o mercado internacional mais atrativo, desviando parte do fornecimento de insumos, além de tornar mais cara a importação de matéria-prima importada. “O resultado foi um aumento ainda mais acentuado de preços e uma dificuldade ainda maior de obter os insumos e matérias-primas”, afirma o presidente da CNI.

O levantamento da CNI também apontou que 45% das empresas da indústria geral tiveram dificuldades em atender a demanda, abaixo dos 54% registrados em novembro. Na construção civil, 30% das indústrias afirmaram problemas para dar conta da demanda, índice semelhante aos 31% observados em novembro. Na área de informática, eletrônicos e óticos, a falta de insumo atingiu 69% das indústrias em fevereiro deste ano. Em novembro do ano passado, afetava 42% das empresas do setor. Empresas de metalurgia, veículos automotores e maquinário também se destacam como os com mais dificuldades para atender a demanda.