A Confederação Nacional de Municípios apresenta um levantamento com números catastróficos. Em pesquisa feita com prefeitos brasileiros, a entidade mostra um iminente colapso nos hospitais durante o pior período da pandemia de coronavírus. Ao todo, dos cerca de 2,6 mil municípios que participaram do estudo, 50,4% dos prefeitos responderam que há risco de faltar medicamentos na próxima semana. Drogas que fazem parte do kit intubação pode faltar em 1.316 cidades do Brasil praticamente a qualquer momento.

O superintendente do Hospital Nipo-Brasileiro, Sergio Okamoto, diz que muitos insumos são contados diariamente. “Para determinados tipos de medicação não é uma semana não, estamos com um dia de estoque, dois dias. Algumas medicações que só temos um fabricante no Brasil que fornece. Inclusive eles não conseguem entregar na quantidade que a gente necessita”, relata. Também há problemas com o oxigênio hospitalar. Segundo a pesquisa, em 709 municípios o insumo está prestes a acabar. Okamoto diz que o coronavírus traz uma pressão maior nos hospitais, afinal eles não são focados para apenas uma doença. “Essa dificuldade de você poder tratar essa doença que acaba necessitando de uma UTI, por mais que tenhamos espaço, tenhamos leitos, o grande problema está em dar um atendimento de qualidade, que de segurança para que a gente possa tratar essa doença de uma forma a contento.”

Para tentar driblar a situação, o Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo planeja criar um consórcio de hospitais privados para importar de forma coletiva os medicamentos destinados ao kit intubação. A resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) número 483 autoriza a compra direta por serviços de saúde no período da pandemia. Pelo consórcio, seria possível fazer compras coletivas com melhores condições de negociação e preço com os fornecedores internacionais. A entidade ainda fará uma campanha em rádios e emissoras de TV para sensibilizar e alertar a população sobre os riscos da doença. Para o sindicato, é possível diminuir a pressão de demanda sobre os hospitais.

*Com informações do repórter Fernando Martins