A Itália se tornou o primeiro país da Europa a entrar de vez no que já está sendo chamado de guerra das vacinas. A decisão do governo de Roma de bloquear a exportação de vacinas para a Austrália abriu precedente polêmico diante da situação atual. Um lote de 250 mil doses do imunizante produzido pela AstraZeneca no país não foi liberado para seguir viagem até a Oceania. Os italianos apoiaram a decisão em uma diretriz da própria União Europeia que permite essa espécie de confisco. A medida pode ser tomada se o laboratório afetado não estiver cumprindo seus contratos com o bloco.

E esse é o caso da AstraZeneca — o laboratório anglo-sueco só vai entregar 40% do que prometeu para a União Europeia até o fim do mês. A empresa alega problemas em sua linha de produção, mas o atraso foi classificado como inaceitável pelo governo italiano. O novo primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, deixou claro que a vacinação dos italianos é sua prioridade no momento. O movimento desta semana tem como objetivo estimular outros países europeus a tomarem medidas semelhantes.

Draghi argumenta que sem vacina não há saída desta crise e que a Europa não deve permitir a exportação de doses por enquanto. Do lado australiano, a reação foi contida. O governo afirmou que o lote de 250 mil doses em si não irá fazer diferença em sua campanha. Mesmo assim, a Austrália reclamou da decisão italiana nos órgãos europeus competentes. O fato é que o país continente já previa dificuldades e também se preparou com antecedência, como fizeram as nações desenvolvidos. A Austrália deve iniciar sua produção própria em massa nos próximos dias com capacidade de entregar um milhão de doses por semana neste primeiro momento.