O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revisou para cima a projeção para a inflação brasileira em 2021 de 4,6% para 5,3%, segundo números divulgados nesta segunda-feira, 24. A nova previsão coloca o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 5,25%, com centro de 3,75% e margem mínima de 2,25%. Em nota, a instituição afirma que a revisão foi motivada pela mudança de fatores de pressão sobre a inflação no país, sobretudo pela variação dos preços monitorados, que tiveram as expectativas elevadas de 6,4% para 8,4%. A previsão da inflação dos bens industriais avançou de 3,8% para 4,3%, enquanto a dos serviços livres, exceto educação, sofreu alteração de 3,6% para 4%. No caso dos alimentos no domicílio, o principal vilão da inflação em 2020, o Ipea manteve a previsão de 5%. Para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), considerado a inflação dos mais pobres, o Ipea revisou a projeção de 4,3% para 4,7%.

A inflação chegou a 6,76% nos 12 meses acumulados em abril, quando registrou alta mensal de 0,31%. A queda do IPCA no início da pandemia do novo coronavírus em 2020, que chegou a registrar deflação, deve trazer o índice para baixo nos próximos meses, mas não o suficiente para evitar que o teto da meta seja rompido. “Em que pese à expectativa de que, no segundo semestre, se verifique um recuo significativo desta taxa de variação, o desempenho recente pior que o esperado anteriormente motivou a elevação da projeção para o IPCA em 2021”, informaram os técnicos do Ipea. A alta das commodities, que também foi um dos principais pontos de pressão inflacionária no ano passado, deve se estabilizar em um patamar elevado, mesmo com o aumento da oferta. “Os riscos para essa previsão de inflação em 2021 estão relacionados às oscilações da taxa de câmbio e dos preços internacionais das commodities, que podem surpreender positiva ou negativamente”, afirmou o diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea, José Ronaldo Souza Júnior.

A projeção do Ipea está acima ao previsto pelo mercado financeiro, segundo dados divulgados pelo Boletim Focus nesta segunda-feira. Pela sétima semana seguida, as fontes do Banco Central elevaram a perspectiva do IPCA para 5,24%. Na semana passada, a previsão apontava alta de 5,15%, e 5,01% há um mês. Já o governo federal estima que a inflação irá encerrar o ano com alta de 5,05%, de acordo com o Boletim Macrofiscal divulgado pela Secretaria de Política Econômica na semana passada. Em março, os técnicos do Ministério da Economia previam o IPCA em 4,42%, enquanto na edição de novembro de 2020 a expectativa era de 3,23%.