A produção industrial brasileira encolheu 4,5% em 2020 ante o ano anterior, segundo números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira, 2. Este foi o pior desempenho para o setor desde 2016, quando o tombo foi de 6,4%, e representa o segundo ano consecutivo de resultado negativo após queda de 1,1% em 2019. Os dados também mostram que o setor avançou 3,4% no ultimo trimestre de 2020. Em dezembro, a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) revelou alta de 0,9% no setor, o oitavo mês seguido de avanço. Com o número do último mês de 2020, a produção industrial acumulou alta de 41,8% desde maio e eliminou a perda de 27,1% registrada entre março e abril, o período mais severo da crise gerada pela pandemia do novo coronavírus. Em comparação com dezembro do ano passado, houve alta de 8,2%. Mesmo com o desempenho positivo nos últimos meses, a indústria ainda se encontra 13,2% abaixo do seu nível recorde, alcançado em maio de 2011.

Na comparação entre o ano passado com 2019, todos as grandes categorias pesquisadas pelo IBGE registraram queda. Os destaques negativos ficaram para bens de consumo duráveis (-19,8%) e bens de capital (-9,8%). A queda da primeira categoria é associada ao achatamento de 34,6% na fabricação de automóveis durante todo o ano de 2020. “Ambas têm a dinâmica de produção muito associada à indústria de automotores. No caso da primeira, com influência dos automóveis, como os carros, e no caso da segunda, os equipamentos de transporte, como caminhões”, afirma André Macedo, gerente da pesquisa. Os setores de bens de consumo semi e não-duráveis (-5,9%) e de bens intermediários (-1,1%) também acumularam taxas negativas no ano, com o primeiro apontando queda mais acentuada do que a média nacional (-4,5%); e o segundo registrando a perda menos intensa entre as grandes categorias econômicas.

Apesar do peso negativo no balanço do fim de ano, a indústria automotiva acumula alta de  1.308,1% na produção nos últimos oito meses, eliminando a perda de 92,3% registrada no período março e abril de 2020. Entretanto, no acumulado de 2020 contra 2019, o setor também foi a maior influência negativa (-28,1%). Outra influência positiva na passagem de novembro para dezembro veio da metalurgia, com 19% de alta, sexta taxa consecutiva e acumulado de 58,6% no período julho até dezembro. “É um segmento que tem atuado acompanhando o crescimento na produção da indústria automobilística”, diz Macedo. No ano, entretanto, a metalurgia acumulou queda de -7,2% contra 2019. Em dezembro, também se destacaram as indústrias extrativas, com alta de 3,7% frente a novembro, interrompendo três meses de resultados negativos consecutivos. No acumulado de 2020, o setor apresentou queda de 3,4% contra 2019.