A postura do presidente Jair Bolsonaro frente à pandemia de coronavírus repercute na comunidade internacional. A declaração mais recente do presidente, minimizando a ameaça do vírus, foi destaque nos principais jornais ao redor do mundo. A rede pública do Reino Unido, BBC News, estampa a foto do presidente com o título: “Bolsonaro diz aos brasileiros para pararem de choramingar enquanto a morte atinge o pico”. A agência de notícias Reuters destaca que a declaração foi feita após dois dias seguidos de recorde de mortes. A repercussão também ganhou a primeira página da rede alemã Deutsche Welle. E o Clárin, principal jornal da Argentina, enfatizou a fala do presidente que chamou de “covardes” os que cumprem o distanciamento social e se irritou contra os que lhe pedem para comprar vacinas.

O professor de relações internacionais da FGV, Oliver Stuenkel, explica que a preocupação global é maior por o Brasil ser um dos países de origem das novas mutações do coronavírus. “O que chama atenção é que sobretudo agora, que nos Estados Unidos temos um governo bastante focado na redução do número de infecções, o Brasil se destaca por ter um governo que não parece apresentar uma estratégia clara para lidar com a pandemia. Os países acabam tendo a percepção de que aqui há um risco de que outras variantes, inclusive outras cepas, podem surgir. Isso ficou bastante visível na imprensa global nos últimos dias”, afirmou. Nesta semana, o jornal americano “The New York Times” ouviu cientistas que dizem que a situação do Brasil deve servir de alerta para o mundo. O jornal britânico The Guardian classificou o país como um “laboratório a céu aberto para o vírus se proliferar e eventualmente criar mutações mais letais”. Já o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, alega que existe um esforço por parte de alguns segmentos para prejudicar a imagem do Brasil no exterior. O ministro e membros da comitiva viajam na noite deste sábado, 6, a Israel para estudar uma possível compra do spray para o tratamento contra a COVID-19.