O secretário de Saúde do Estado de São Paulo, Jean Gorinchteyn, analisou a possível propagação da variante indiana do coronavírus no Brasil. A mutação foi detectada no país após uma embarcação vinda da Ásia chegar em São Luís, no Maranhão. O secretária ressalta que o momento é de atenção, principalmente porque a nova variante é mais transmissível do que as outras já conhecidas, mas acredita que o Estado está mais preparado para lidar com a cepa indiana do que estava quando a P.1 surgiu no começo de 2021. Em fevereiro, a variante brasileira, descoberta em Manaus, começou a ter transmissão comunitária em São Paulo e agora já responde pela maioria dos casos de Covid-19 no Estado. Apesar da cautela, Gorinchteyn vê um cenário mais favorável. Em entrevista ao Jornal da Manhã neste domingo, o secretário afirmou que o avanço da vacinação nos grupos de risco, o fato dos imunizantes da Pfizer e de Oxford/AstraZeneca já terem se mostrado eficazes contra a nova variante e parte da população estar respeitando as normas são pontos favoráveis no sentido de conter a propagação da cepa.

“O Estado de São Paulo tem hoje 21% da sua população adulta recebendo essa vacina, especialmente aqueles que são pacientes de risco de desenvolver formas graves, como idosos, pacientes que são portadores de comorbidades, porque são esses que acabam ocupando em sua grande maioria, por volta de 70 a 74%, nos nossos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e 75% deles, infelizmente, morrem em decorrência da gravidade”, afirma o secretário. “Nós temos ainda a população na sua maioria seguindo o regramento. E, em terceiro, nós já temos resposta à cepa indiana em vacinas como Pfizer e AstraZeneca”, acrescenta. “Tudo isso faz com que esse seja um olhar de atenção, mas diferente daquele que nós tínhamos logo no início de fevereiro quando o número de casos pela cepa p.1 acabou aparecendo.” No entanto, Gorinchteyn recomenda cautela e frisa que, se a população continuar respeitando as regras de isolamento, não há motivo para caos. “Mesmo que eu tenha uma variante nova, se eu tenho a nossa população respeitando normas, nós não teríamos problema”, diz.

O Estado, no entanto, tem se preparado em outras frentes para combater a entrada da cepa, dando uma atenção especial às entradas de viagens vindas da Índia, Ásia e Reino Unido com rastreio de casos e até impedimento de viagens. “Quem faz isso é a Anvisa em conjunto com o governo federal, mas o Estado de São Paulo, principalmente o município de Guarulhos, em razão de nós termos um próprio aeroporto internacional com grande entrada de pessoas vindas de fora, merece toda a atenção. Atenção no sentido de realização de testagem, identificação daqueles que venham dessas regiões e identificação de pacientes sintomáticos, porque dessa forma nós já conseguimos fazer uma obstrução do acesso dessas pessoas no nosso Estado”, explica. O Estado também manterá os leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) destinados a pacientes da doença. “É óbvio que nós fizemos uma determinação para que aqueles mais de 14 mil leitos de UTI sejam mantidos. Nessa semana, nós estamos consolidando a compra de mais de 9 milhões de medicamentos do ‘kit intubação’. Dessa forma, nós temos a condição de acolher os nossos hospitais estaduais, mas também para ajudar e acolher os nossos municípios”, conta.