O Reino Unido vai ser o primeiro país a infectar propositalmente um grupo de voluntários com a Covid-19 como parte de um estudo para entender como o vírus afeta diferentes organismos. A pesquisa, chamada de “estudo de desafio humano” pelo Departamento de Negócios, Energia e Estratégia Industrial do país, vai contaminar, em um ambiente controlado, 90 pessoas com entre 18 e 30 anos. Segundo o governo britânico, £ 33,6 milhões (equivalente a R$ 250 milhões) foram investidos no estudo, que recebeu aprovação ética nesta quarta-feira, 17, e deve ser iniciado em um mês. “O primeiro estudo do tipo para o novo coronavírus deve estabelecer qual é a menor quantidade de vírus necessária para causar uma infecção, o que dará aos médicos um melhor entendimento da doença”, explica trecho do comunicado emitido pelo governo.

O estudo deve infectar os jovens com a primeira cepa do vírus, que circula no Reino Unido desde março de 2020 e se comprovou menos arriscada à saúde do que a nova variante descoberta no fim de 2020. Todos os voluntários serão monitorados 24 horas por dia com assistência de três instituições de saúde diferentes de Londres. Os participantes terão recompensa financeira pelo tempo que dedicarem ao estudo, mas o valor a ser recebido por cada um não foi divulgado. Um processo de triagem será feito e só aqueles que tiverem melhores condições de saúde deverão ser selecionados.

“Nós garantimos um número de vacinas seguras e efetivas para o Reino Unido, mas é essencial que continuemos a desenvolver novas vacinas e tratamentos para a Covid-19. Esperamos que esses estudos ofereçam pontos de vistas únicos sobre como o vírus funciona e nos ajudem a entender quais vacinas promissoras têm as melhores chances de prevenir a infecção”, explicou o coordenador da força-tarefa de vacinação do país, Clive Dix. Até o momento, o Reino Unido, com 66 milhões de habitantes, tem 4 milhões de pessoas infectadas pela doença desde o início da pandemia e 118 mortes por Covid-19 registradas.