Os Estados Unidos deram o seu apoio a uma ação encabeçada pela Organização Mundial do Comércio (OMC) para suspender temporariamente a proteção de patentes das vacinas contra a Covid-19. A representante do comércio do governo norte-americano, Katherine Tai, afirmou que “tempos extraordinários exigem medidas extraordinárias”. O líder da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, classificou esse anúncio como um “momento monumental” na luta contra a pandemia do novo coronavírus. De acordo com a emissora britânica BBC, com a entrada dos Estados Unidos já são 100 os estados que fazem parte da OMC favoráveis à medida, contra 64 que ainda não se pronunciaram sobre o assunto ou não apoiam a ideia. Logo após a decisão do governo norte-americano, o presidente da França, Emmanuel Macron, mudou de posição e passou a dizer que é “absolutamente a favor” da suspensão das patentes. Além disso, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, garantiu que a União Europeia “está pronta para discutir quaisquer propostas que abordem a crise de forma eficaz e pragmática”. Já o Reino Unido esclareceu através de um porta-voz que está “trabalhando com membros da OMC para resolver essa questão” e “em discussão com os Estados Unidos e os membros da OMC para facilitar o aumento da produção e fornecimento das vacinas contra a Covid-19“.

A proposta inicial foi feita pela África do Sul e pela Índia, que justificaram que a medida poderia aumentar a produção dos imunizantes em todo o mundo e tornar as doses mais acessíveis às nações menos ricas. Porém, a proposta enfrenta também a resistência dos fabricantes, que desejam defender os seus próximos interesses e argumentam que a quebra de patentes pode não surtir o efeito desejado. Segundo essas empresas, a medida pode sufocar a inovação. “Você poderia comprometer a qualidade e a segurança das vacinas que vemos agora e isso seria prejudicial”, acrescentou ainda Thomas Cueni, chefe da Federação Internacional de Fabricantes e Associações Farmacêuticas, em entrevista à emissora britânica BBC. “Os gargalos no momento são barreiras comerciais, impedindo as empresas de moverem seus produtos de um país para outro. É a escassez nas cadeias de abastecimento que precisam ser resolvidas. E também é agora a decepcionante relutância dos países ricos em compartilhar as primeiras doses com os países pobres. Nada disso é tratado com a dispensa de patente”, completou.