A relações públicas Rafaela Lemos notou uma ferida nos dedos dos pés na mesma época em que parentes estavam tendo diagnósticos positivos para a Covid-19. Como nenhum familiar apresentou as mesmas manifestações, ela achou que se tratava de algum problema corriqueiro. Fazendo buscas sobre sintomas para ajudar a mãe, porém, ela se deparou com um novo termo. “Foi em uma dessas matérias que eu vi que alguns sintomas são raros, incluindo o dedo do pé do Covid. Eu achei o nome engraçado e por conta disso coloquei no google e busquei por imagens. Quando eu vi as imagens, elas eram idênticas à minha ferida no pé”, recorda. Os “Dedos de Covid” fazem parte de manifestações dermatológicas, estudadas pela comunidade médica e relacionadas à contaminação por coronavírus. A frequência das manifestações cutâneas ainda é discutida, mas calcula-se que as lesões ocorrem entre 2 e 20% dos pacientes com o vírus. Em alguns casos, como aconteceu com Rafaela, os machucados são os primeiros ou únicos sintomas da infecção e melhoram em até 20 dias depois que a pessoa estiver curada. Além dos “Dedos de Covid”, foram observadas urticárias, manchas avermelhadas e arroxeadas em pacientes com quadros menos graves.

O presidente do departamento de Dermatologia e Medicina Interna da Sociedade Brasileira de Dermatologia, Paulo Criado, explica que as lesões são reações do organismo. “Provavelmente isso ocorre como parte da reação inflamatória que o organismo está orquestrando para combater o vírus, ou que o vírus desencadeia no organismo”, afirmou. A Sociedade Brasileira de Dermatologia também observou lesões que lembram uma rede de pescador danificada e estão associadas a quadros graves da Covid-19.São manifestações externas relacionadas à formação de coágulos sanguíneos em órgãos como o pulmão, coração ou sistema nervoso. A entidade alerta que esses sintomas devem ser tratados nos consultórios médicos como indicativos da Covid e, portanto, seguidos de testagem e isolamento.

*Com informações da repórter Nanny Cox