Um dos pontos que mais dividem gestores sobre o enfrentamento à pandemia e adoção do lockdown é a manutenção do ensino presencial. Em debate na Câmara dos Deputados, parlamentares e especialistas concordaram que as unidades de ensino devem ser as últimas a fechar e as primeiras a reabrir. A representante da Unicef no Brasil, Florence Bauer, defendeu que as escolas são os lugares mais seguros para as crianças. “Os números mostram que as crianças são menos afetadas pelo vírus, elas transmitem menos, as escolas vão vistos como os locais mais seguros. Tem evidências que mostram que não tem um aumento da transmissão de alunos para alunos, não tem aumento da transmissão de alunos para os adultos e não tem uma correlação entre a abertura das escolas e o aumento das infecções dentro da comunidade”, disse. Segundo a Florence Bauer, enquanto na média mundial as crianças ficaram 22 semanas fora da escola, no Brasil, foram 52 semanas de ensino remoto. A especialista ressalta que, além do impacto na aprendizagem, o fechamento das escolas também tem impacto na nutrição, na saúde e na segurança de crianças e adolescentes.

Sobre o lockdown e a necessidade de fechamentos dos estabelecimentos, a Sociedade Brasileira de Infectologia e a Associação Médica Brasileira defenderam, em manifesto divulgado nesta segunda-feira, 08, que as medidas de enfrentamento à pandemia devem ser proporcionais à realidade de cada local. Segundo as entidades, “o lockdown trata-se de uma medida extrema, mas de efetividade científica comprovada quando não há outras formas capazes de controlar a transmissão comunitária e reduzir rapidamente o número de novos casos e de óbitos”. Ainda de acordo com a nota, “o bloqueio total de atividades deve ser efetuado somente em algumas situações críticas, e quando se fizer necessário, por um período determinado, com fiscalização rígida e punição a todos que desrespeitarem”.

*Com informações da repórter Letícia Santini