O ex-ministro Eduardo Pazuello, demitido da pasta da saúde em pleno auge da pandemia de coronavírus no país, fez sérias acusações em um momento de despedida do ministério. Em vídeos divulgados pelo site da revista Veja, Pazuello diz que havia interesse nos recursos da pasta, falando: “todos queriam o ‘pixulé’ do final do ano”. Nas imagens, próximo a ele estão seus auxiliares no ministério, os coronéis Luiz Otavio Franco Duarte, secretário de atenção especializada em saúde, e Élcio Franco Filho, secretário executivo. “Chegou no final do ano uma carreata de gente pedindo dinheiro politicamente. O que nós fizemos, Franco e Duarte?”, perguntou Pazuello. O secretário-executivo disse que recursos atenderam às demandas dos estados conforme critérios epidemiológicos.

Pazuello também afirmou que há direcionamento político dentro do ministério. Sem citar nomes, chegou até mesmo a acusar grupo de médicos por tentar fraudar uma nota técnica para conseguir distribuir um medicamento. O ex-ministro disse que a presença de médicos na pasta é fundamental, mas não se pode esquecer que o ministério “é alvo de pressões políticas” e explica o motivo. “Por causa do dinheiro que é destinado aqui de forma discricionária. Então, a operação de grana com fins políticos acontece aqui. Acabamos com 100%? Não vou dizer isso. 100% nem Jesus Cristo”, afirmou. Pazuello ainda disse que não conseguiu prever o crescimento da pandemia por conta das novas variantes do coronavírus e, sobre a investigação da polícia federal contra si, disse: “a história vai nos julgar”.

*Com informações do repórter Fernando Martins