Médicos criticam a politização do tratamento precoce contra o coronavírus e se dividem sobre a eficácia dos medicamentos. Em audiência pública na Câmara, nesta sexta-feira, 7, especialistas com posições contrárias debateram o tema e falaram sobre a autonomia dos profissionais. A médica e professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Ilka Boin, alertou para os possíveis efeitos colaterais da ivermectina. “Por isso que a dose da ivermectina para o tratamento do Covid supera 10 a 20 vezes a dose ideal preconizada em bula para o tratamento de qualquer doença. Isso vai aumentar a chance de efeitos colaterais. É isso que a gente precisa reconhecer”, afirmou. Ilka Bóin reitera, no entanto, que o paciente tem o direito de aceitar ou não a indicação do médico.

Favorável ao tratamento precoce, a secretária municipal da Saúde de Porto Seguro, na Bahia, Raissa Soares, ressalta que cada caso é diferente. “Nada na medicina é 100%, então o que nós vivemos hoje são colega que falam simplesmente que não existe evidência, que não podem ser feito, que não podem ser liberados. E aí eu volto no discurso de dizer que nós que fazemos o tratamento temos o pilar da bioética. A bioética está como pilar da nossa prática”, pontuou. A médica Raíssa Soares acrescenta que existem indicadores de cidades que mostram a redução de mortes com tratamentos preventivos. O infectologista Francisco Cardoso ressalta que o método não se resume ao uso da cloroquina. “Não é apenas a cloroquina. A cloroquina nem é a droga mais eficaz atualmente, diante de drogas tão mais poderosas”, afirmou. Os profissionais, em geral, avaliam que o Ministério da Saúde deveria adotar um posicionamento unificado sobre o tema para todo o Brasil.

*Com informações do repórter Vitor Brown