A piora da pandemia do novo coronavírus no Brasil e na Europa, e a estimativa do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) de que o recuo da economia deve ser mais branda em 2021 mexem com o humor do mercado financeiro nesta terça-feira, 23. Por volta das 12h10, o dólar caia 0,56%, cotado a R$ 5,487 após abrir em alta e se manter instável. O câmbio chegou na máxima de R$ 5,550 e mínima de R$ 5,486. A moeda americana fechou a véspera com alta de 0,59%, cotado a R$ 5,518. Seguindo o mau humor das Bolsas internacionais, o Ibovespa, referência da B3, opera sem direção definida, com alta de 0,23%, aos 115.275 pontos. O pregão desta segunda-feira, 22, fechou com recuo de 1,07%, aos 114.978 pontos.

O recrudescimento da pandemia da Covid-19 no Brasil e em países europeus segue pressionando os investidores. A Alemanha, maior economia da zona do euro, anunciou novas restrições durante o feriado da Páscoa para tentar barrar a disseminação de uma nova variante do vírus no país. Já no Brasil, o Estado de São Paulo divulgou nesta manhã 1.021 óbitos contabilizados nas últimas 24 horas, o maior número desde o início da pandemia, em fevereiro do ano passado. Segundo a gestão estadual, os novos falecimentos não se referem apenas a mortes que aconteceram nas últimas 24 horas, incluindo dados acumulados do final de semana, que teve média diária de 94 óbitos entre domingo e segunda. O recorde anterior era de 16 de março, com 679 vítimas em um dia.

Investidores também repercutem a previsão do Copom de que a possível piora da economia neste ano seria “bem menos profunda” do que a registrada em 2020. Em ata para justificar a elevação da Selic para 2,75% na semana passada, o colegiado também prevê que a recuperação seria mais ágil. “Para o Comitê, o segundo semestre do ano pode mostrar uma retomada robusta da atividade, na medida em que os efeitos da vacinação sejam sentidos de forma mais abrangente.” Apesar do tom otimista, a autoridade monetária nacional chama a atenção para o agravamento da pandemia nas últimas semanas, e que os efeitos desta piora ainda não foram refletidos nos indicadores financeiros. O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta segunda-feira, 22, que a economia deve começar a sentir a “pancada” da segunda onda da Covid-19 a partir deste mês.