Um levantamento realizado pelo Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (SindHosp) mostrou que 99% dos hospitais da rede particular de São Paulo tiveram aumento no número de internações. A pesquisa indica também que 82% dos hospitais estão com taxas de ocupação de UTI entre 91% e 100%. Entre os dias 8 e 11 de março, 72% desses estabelecimentos estavam com taxa de ocupação dos leitos de UTI contra a Covid-19 entre 96% e 100%. Outros 10% flutuavam entre 91% e 95%. A pesquisa foi feita com 93 unidades hospitalares que possuem 6.517 leitos clínicos e 3.009 leitos de terapia intensiva. Trinta e oito estão na Grande São Paulo, 28 na capital e 55 no interior do Estado. De acordo com o médico Francisco Balestrin, presidente do SindHosp, apesar da atual situação da pandemia, os hospitais seguem atentos ao trabalho no atendimento de pacientes com outras patologias além da Covid-19 para não deixar o público desassistido.

“Não há outro caminho. Temos uma situação de gravidade da pandemia e da ocupação de leitos nunca antes vista desde março do ano passado. Precisamos reforçar os protocolos de prevenção e acelerar o processo de vacinação”, destacou Balestrin. A pesquisa também revelou que 83% dos hospitais estão cancelando cirurgias eletivas por falta de leitos para os pacientes com coronavírus. Diz o estudo que 53% dos hospitais analisados conseguiriam aumentar os leitos de UTI e enfermaria. Porém, outros 32% não conseguiriam disponibilizar mais vagas. A pandemia tem feito alguns hospitais enfrentarem problemas. Segundo o levantamento, 89% das unidades relataram inconvenientes dos diferentes tipos:

  • 82% dos hospitais reclamam que o maior problema refere-se ao aumento do preço de EPIs;
  • 79% relatam aumento nos preços dos medicamentos;
  • 58% apontam falta de profissionais da saúde;
  • 39% lamentam a dificuldade para repor estoques de medicamentos e EPIs;
  • 36% estão preocupados com o cancelamento de cirurgias eletivas e queda na receita

Mudança de perfil das internações

De acordo com o SindHosp, 91% das unidades pesquisadas relataram mudanças no perfil de internações. Cinquenta e quatro por cento disseram que a faixa etária dos pacientes internados caiu consideravelmente, sendo 47% crianças e adolescentes. Outros 46% indicaram que aumentou o tempo médio de permanência dos internados por Covid-19 em UTI. Outro dado preocupante é o de que 55% dos estabelecimentos de saúde que participaram da pesquisa afirmaram que os pacientes estão chegando com quadros mais graves ou apresentando rápida progressão.