O presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e secretário de Saúde do Maranhão, Carlos Lula, explicou o lockdown proposto ao Ministério da Saúde diante do aumento de casos e hospitalizações em decorrência da pandemia da Covid-19. De acordo com ele, existe uma responsabilidade social — além da sanitária. “Seria muito fácil pedir para todo mundo ficar pelo menos 21 dias em casa sem auxílio emergencial e sem se preocupar com as consequências econômicas. Por isso a gente defende o retorno do auxílio e não defende que todo mundo fique em casa o dia todo, não. O serviço essencial funciona 24 horas por dia e o serviço não essencial funcionaria em horário reduzido. Nos finais de semana todo mundo dentro de casa. E esse toque ficaria entre 20h e 5h.”

Para Carlos Lula, isso ajudaria a conter as festas — um dos principais pontos de contaminação dessa segunda onda. Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, ele falou que as medidas pontuadas foram tomadas em unanimidade por todos os secretários de saúde do Brasil. “Temos sofrido muito por boicote do próprio presidente, do não posicionamento do Ministério da Saúde e por não ter parâmetro nacional para estabelecer medidas de contenção.” De acordo com o secretário do Maranhão, a decisão não é por adotar as medidas ao mesmo tempo em todo o território, até porque a região Norte já enfrentou seu pior momento — mas, sim, ter um consenso que venha da pasta ou do Congresso.

Segundo ele, as tomadas de decisões descoordenadas confundem a população. “Se tomamos medidas com muito atraso, tem um resultado tão ruim quanto antecipar demais. Desde março do ano passado as medidas com ausência de consenso foram muito erráticas. Por isso, muitas vezes, não deu certo.” Carlos Lula também explicou que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de dividir a responsabilidade da União com estados e municípios não isenta o governo — pelo contrário.

“A União é coordenadora do regime de Saúde no Brasil. Agora, na ausência dela, estados e municípios podem tomar suas decisões. O que não dá é para ter boicote. A doença precisa de aglomeração, é tudo o que ela precisa para se multiplicar. Por isso o lockdown é eficaz, apesar de não ser suficiente. Sozinho ele não resolve o problema. Temos que vacinar todo mundo logo.” Para ele, é preciso esquecer 2022 e focar na guerra contra a Covid-19. Ele prevê pelo menos mais 10 meses críticos pela frente, até a imunização completa da população — no melhor dos cenários. “É preciso abaixar o tom da disputa e tomar medidas em consenso.”