Idosos e profissionais da saúde têm relatado que não conseguiram tomar a segunda dose da vacina contra a Covid-19 na data em que havia sido agendada, e que só descobriram essa informação ao chegar ao local da imunização. Além da frustração de não conseguir fechar o esquema vacinal, os indivíduos acabam se expondo desnecessariamente ao risco de contrair o coronavírus ao se deslocar até a unidade. Ana Maria, de 25 anos, foi até o PNI Municipal de Riacho das Almas, em Pernambuco, no dia 7 de abril, para receber a segunda dose da CoronaVac, vacina fabricada pelo Instituto Butantan. Ao chegar no local, a dentista foi informada pela enfermeira que as 10 doses do recipiente aberto naquele dia já haviam sido distribuídas. “Mostrei meu papel de vacinação e a indignação pelo acontecido. Ela me remarcou para o dia 9 de abril”, conta. “No dia 9, consegui tomar a segunda dose, porém vi pessoas que estavam agendadas para receber a vacina e não conseguiram. Creio que seja mais desorganização e irresponsabilidade”, relata.

O mesmo aconteceu com Emilia, de 63 anos, moradora da cidade de São Paulo. A profissional de saúde foi receber a segunda dose da vacina de Oxford na UBS Vila Jacuí, na Zona Leste da capital, no dia 13 de abril. Quando chegou ao local, foi informada de que não havia mais doses do imunizante. Em seguida, a aplicação foi remarcada para o dia 5 de maio. A primeira dose foi administrada em Emilia no dia 9 de fevereiro. “Questionei: ‘Mas vamos ter essa vacina até essa data?’. Responderam que sim. Questionei novamente: ‘E se não vier?’. Responderam que tinham certeza que teriam. Sai um pouco frustrada, mas também entendo que estou numa situação privilegiada em relação a muitas pessoas”, diz a profissional. “Voltando para casa, liguei para a AMA Sítio da Casa Pintada, da mesma região, e coloquei a situação. A resposta foi imediata: ‘Eles têm sim a vacina de Oxford, o que ocorreu foi o erro no aprazamento. A data correta para segunda dose é dia 5 de maio’”, conta. Nesta sexta-feira, 16, problema semelhante ocorreu com dona Maria, de 75 anos. A neta foi levar a avó para tomar a segunda dose da CoronaVac, mas encontraram o local de vacinação, no Ginásio Esportivo Luís Eduardo Magalhães, na cidade de Paulo Afonso, na Bahia, fechado. “Não tinha ninguém lá. Tivemos que perguntar em um posto de saúde próximo e mandaram voltar segunda-feira, mas tudo é muito incerto”, relata a neta.

Secretarias de Saúde culpam mudanças na recomendação e atrasos na chegada de vacinas

À Jovem Pan, as secretarias de saúde explicam que mudanças na recomendação do intervalo entre as aplicações e atrasos na chegada dos imunizantes são alguns dos fatores que podem alterar as datas de vacinação. Em Riacho das Almas, por exemplo, o órgão assegurou que todos os profissionais de saúde que receberam a primeira dose tiveram a segunda reservada. O problema, segundo a pasta, é que apenas um frasco da vacina CoronaVac está sendo aberto por dia, sendo que, de cada recipiente, são extraídas 10 doses do imunizante — ou seja, somente 10 pessoas podem tomar a vacina. Questionada sobre o porquê de mais pessoas terem ido até o local no dia 7, a Secretaria explicou que pode ter havido problemas no agendamento, ou que uma pessoa que contraiu Covid-19 e, portanto, precisou adiar a aplicação, acabou comparecendo no dia 7, tomando a dose reservada a Ana Maria. “Estamos recebendo frascos com apresentação de 10 doses. Após aberto, só podemos utilizá-lo por 8 horas, caso contrário deve ser descartado”, explicou a coordenadora do PNI Municipal de Riacho das Almas. “Então, para melhor aproveitamento das doses, houve a necessidade de reagendar alguns profissionais dentro do prazo máximo de aprazamento do imunobiológico”, completou.

Já de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, o erro ocorreu pela mudança na recomendação do intervalo entre as doses da vacina de Oxford. “O instrutivo na época que a profissional tomou a vacina indicava que a segunda dose deveria ocorrer entre quatro e 12 semanas após a primeira dose, porém houve alteração”, disse a SMS. Agora, a recomendação é que a segunda dose do imunizante de Oxford seja tomada 12 semanas após a primeira aplicação. A pasta assegurou que a vacinação de Emilia ocorrerá no dia 5 de maio e afirmou que não há falta do imunobiológico no município. A Secretaria de Vigilância em Saúde de Paulo Afonso, por sua vez, disse que não havia campanha de vacinação no município no dia 16 e explicou que, apesar da data ser agendada assim que o paciente toma a primeira dose, o calendário é alterado conforme a entrega de vacinas pelo Estado. A pasta orientou que os munícipes acompanhem o calendário pelas redes sociais, já que é inviável avisar a todos. A informação que constava nesta sexta-feira, 16, é que receberam a segunda dose na quarta-feira, 14, aqueles que fizeram a primeira aplicação entre os dias 15 a 22 de março. A próxima data ainda não foi divulgada.