O mercado de trabalho brasileiro criou 120.935 vagas formais ante demissões em abril, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados pelo Ministério da Economia nesta quarta-feira, 26. O saldo é resultado de 1.381.767 contratações e 1.260.832 demissões. No acumulado do primeiro quadrimestre, o saldo é de 957.889 empregos formais, com 6.406.478 admissões e 5.448.589 desligamentos. O desempenho de abril veio abaixo das 184.140 vagas criadas em maio, quando o mercado de trabalho perdeu o fôlego pela reedição de medidas de isolamento social. Em janeiro e fevereiro, o Caged registrou recordes históricos, com os saldos positivos de 257.768 e 395.166, respectivamente. Em abril de 2020, a variação ficou com saldo negativo de 960.428 postos de trabalho, o pior resultado da história. Já no quadrimestre, o resultado ficou com 763.232 vagas perdidas a mais do que criadas.

Todos os grupamentos de atividades econômicas apresentaram saldo positivo. O setor da serviços foi o grande destaque, com a geração de 57.610 novos postos de trabalho formais. A construção vem em segundo lugar, com 22.224 empregos. A indústria registrou 19.884 vagas, enquanto a agricultura fechou abril com 11.145 postos, e o comércio com 10.124. Todas as regiões também tiveram saldo positivo. O sudeste lidera com a criação de 49.371 postos, seguido pelo sul, com 21.721 vagas de trabalho. O centro-oeste criou 20.928 vagas, enquanto o nordeste encerrou o mês com 19.747 postos, e o norte com 9.170.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta terça-feira, 25, que o governo federal projeta parcerias com a iniciativa privada para fornecer cursos de capacitação e estimular a entrada dos mais jovens no mercado de trabalho. A proposta prevê o pagamento de R$ 600 por participante, dividido entre o Bônus de Inclusão Produtiva (BIP), custeado pelo governo, e o Bônus de Incentivo à Qualificação (BIQ), pago pelas empresas participantes. Segundo o ministro, o projeto pode gerar até dois milhões de empregos “rapidamente” e já há empresas interessadas. A iniciativa antecede o programa Carteira Verde e Amarela, projetado pela equipe econômica para combater o desemprego no país.

O governo reeditou no fim de abril o programa que autoriza a renegociação dos contratos de trabalho para evitar a demissão em massa em meio ao recrudescimento da pandemia do novo coronavírus. O Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEm) permite a redução em até 70% dos salários e jornadas por até 90 dias. Segundo dados do Ministério da Economia, já foram firmados mais de 1,5 milhões de acordos neste ano. O governo federal também suspendeu a arrecadação do Fundo de Garantia por Temo de Serviço (FGTS) por quatro meses e autorizou a antecipação de férias com aviso prévio de 48 horas.