A fila à espera de comida dava voltas no centro de São Paulo na última quarta-feira, 31. Sem trabalho e vivendo na rua, Miguel da Silva recorreu à doação para não pedir dinheiro. “Para não pedir eu vim aqui pegar, porque é do governo. É do povo.” O aumento da miséria é uma das faces mais cruéis do impacto econômico da pandemia. A fome, consequência da falta de emprego e renda, cresce até nas cidades mais ricas e desafia o poder público.

Quase três meses após o último pagamento, o governo anunciou o calendário do novo auxílio emergencial. Cerca de 45 milhões de pessoas vão receber o benefício em quatro parcelas de R$ 150, R$ 250 ou R$ 375 dependendo do tamanho da família. Para saber se tem direito, o trabalhador precisa entrar no site da Dataprev a partir de hoje. O beneficiário deverá informar o CPF, nome completo, nome da mãe e data de nascimento.

A Caixa será responsável pelos pagamentos. Para evitar aglomerações, os saques só serão liberados com o passar do tempo, mas o dinheiro estará disponível no aplicativo Caixa TEM. O banco garante que dessa vez as filas nas portas das agências não vão se repetir. A primeira parcela começa a ser paga na próxima terça-feira para os nascidos em janeiro. Quem nasceu em fevereiro vai receber no dia 9; nascidos em março no dia 11; abril, no dia 13 maio será no dia 15; junho no dia 18, os nascidos em julho no dia 20; agosto dia 22; setembro em 25 de abril; outubro 27; novembro dia 29; e dezembro dia 30.

A segunda parcela será liberada a partir de 16 de maio. A terceira, 20 de junho. E a quarta, em 23 de julho. O ministro da Cidadania, João Roma, ressaltou a importância da volta do auxílio. “É uma ferramenta para minimizar o sofrimento e fazer com que nosso povo consiga superar essa pandemia de forma que o governo federal está fazendo sua parte para superar esse momento de muita dificuldade.” A expectativa é que metade dos beneficiários utilize o benefício digitalmente.

*Com informações da repórter Camila Yunes