O aumento dos casos de Covid-19 nas últimas semanas já provoca um novo colapso da rede hospitalar em algumas regiões do país. Em Mato Grosso do Sul, a taxa de ocupação das UTIs já chega a 105% e leitos estão sendo improvisados. O secretário estadual da Saúde, Geraldo Resende, diz que a saída foi transferir pacientes a outros Estados. “Estamos pedindo agora também para o Ministério da Saúde e da Defesa que nos ajude a transferir, através de aviões da Força Aérea Brasileira para Porto Velho, Rondônia.” De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz, a maior parte dos estados tem taxas de ocupação de leitos de UTI acima de 80%.

O coordenador do Observatório Covid da Fiocruz, Paulo Machado, afirma que o índice confirma a gravidade da pandemia. “A ocupação de leitos é a ponta do iceberg. O registro de casos por vezes tem atraso de duas ou três semanas. Ou seja, só daqui esse período que vamos enxergar de forma mais clara o crescimento de casos. Mas ele já vem ocorrendo. É uma situação, que eu diria, de alerta crítico que voltamos neste momento agora. A situação do país está entre aquela do início de março e da última semana de fevereiro.” O pesquisador da Fiocruz pede o reforço das restrições, distanciamento e o uso de máscaras.

Durante visita a Rondônia nesta quinta-feira, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, reafirmou que toda a população acima de 18 anos será vacinada ainda em 2021. “O Ministério da Saúde já contratou mais 600 milhões de doses da vacina, o que permite assegurar que até o mês de dezembro teremos a nossa população acima de 18 anos totalmente imunizada. Nosso desafio agora é tentar antecipar doses para que a campanha tenha velocidade maior capaz de atender a capacidade de imunizar a nossa população.” Queiroga disse ainda que o país chegou a marca de 100 milhões de doses distribuídas. Segundo o ministro, a assinatura do acordo de transferência de tecnologia da AstraZeneca para a Fiocruz vai trazer autonomia para a produção nacional.

Após encontro com entidades médicas em Porto Velho, Marcelo Queiroga confirmou pedidos de Rondônia e Roraima para o envio de mais vacinas. A ideia, segundo o ministro, é criar uma espécie de barreira epidemiológica nas áreas de fronteiras dos dois estados. As solicitações serão analisadas pelo Programa Nacional de Imunização. O Ministério da Saúde recebeu nesta semana mais 2,3 milhões de doses da vacina da Pfizer. Na quarta, 936 mil doses chegaram ao país. Porém, segundo o governo de São Paulo nenhuma foi entregue ao Estado. Pelo Twitter, o governador de São Paulo, João Doria, reclamou do atraso e disse que o Ministério atribuiu a demora ao feriado. Segundo a gestão Doria, sem a entrega que estava prevista, o cronograma de vacinação pode sofrer prejuízo.

*Com informações da repórter Nanny Cox