O presidente Jair Bolsonaro anunciou nesta quarta-feira, 24, a criação de um comitê com os chefes dos três poderes da República para tratar dos efeitos e das ações de combate à pandemia do novo coronavírus. Em declaração à imprensa, o presidente afirmou que o chamado “tratamento precoce” ficará a cargo do ministro da Saúde e lembrou que a intenção é dedicar os esforços à vacinação em massa da população brasileira. “Não temos ainda um remédio, mas a nossa união, o nosso esforço entre os três poderes da República, ao nos direcionarmos para aquilo que realmente interessa sem que haja qualquer conflito, qualquer politização da solução do problema, creio que esse seja realmente o caminho para o Brasil sair dessa situação bastante complicada em que se encontra”, afirmou. De acordo com o novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, a expectativa é de que a articulação nos três níveis represente uma melhora no Sistema Único de Saúde do país para reduzir a circulação do vírus. A criação do comitê foi decidida em uma reunião realizada no Palácio da Alvorada com os presidentes do Executivo, Legislativo e Judiciário, com ministros de estado e governadores das quatro regiões do país.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, explicou que a Corte atuará como uma espécie de conselheira do grupo. “O poder judiciário, como é o último freio, irá aferir a legitimidade dos atos que serão praticados. Ele não pode participar diretamente desse comitê, porque tanto como esses problemas da pandemia exigem soluções rápidas, nós vamos verificar estratégias capazes de evitar a judicialização, que é um fator de demora na tomada dessas decisões”, afirmou. O comitê será formado apenas por representantes dos três poderes da República. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, será o responsável por trazer as demandas dos comandantes estaduais. Ele considerou a união como um “pacto nacional liderado por quem a sociedade espera que lidere”. A expectativa é de que o comitê se reúna semanalmente para traçar planos de combate à Covid-19. Há pouco, em coletiva, o novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, voltou a defender a vacinação em massa e afirmou que o país tem o compromisso de, em breve, vacinar um milhão de pessoas por dia.

Para o comentarista do programa “Os Pingos Nos Is”, da Jovem Pan, Augusto Nunes, a reunião do presidente com governadores é uma prova de que o lockdown implementado pelos estados não funciona e agora os representantes das unidades federativas não querem levar a culpa pelo caos sozinhos. O jornalista lembrou mais uma vez da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de deixar a cargo dos estados e municípios a administração de medidas restritivas contra a pandemia e recordou que o governo federal fez repasses altos que deverão ter contas prestadas no futuro pelas outros poderes. “Ele não administrou a pandemia porque não podia. Não sei se administraria bem ou mal, não pôde administrar. Agora, fez o correto. Chamou os representantes dos três poderes, chamou os governadores, foram os que se dispuseram a ir, e montou um comitê para administrar a vacinação em massa, medidas de distanciamento social, suspensão provisória de aglomerações e só”, afirmou.

Augusto lembra que pouquíssimos países compraram a vacina com antecipação e até os que adquiriram os imunizantes antes de todos lidaram com problemas de distribuição, como foi o caso do Canadá, o que não justificaria as críticas a Bolsonaro. “O governo federal fez o que pôde e agora é hora de intensificar a vacinação. Com esse gesto, Bolsonaro está dizendo o seguinte: estou disposto a interromper a campanha eleitoral, vamos ver se os outros interrompem. Os governadores que apostaram no vírus chinês como aliado político e eleitoral quebraram a cara”, pontuou. Para ele, enquanto Bolsonaro é chamado de genocida, governadores são poupados. “Que culpa tem o presidente da República?”, questionou.

Confira o programa “Os Pingos Nos Is” desta quarta-feira, 24, na íntegra: