O presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar nesta sexta-feira, 8, a decisão tomada pelo ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, que obrigou o Senado a instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o Governo Federal por supostas omissões na condução dos programas de enfrentamento à pandemia da Covid-19. Antes de assinar a decisão, Barroso fez uma consulta informal a todos os colegas do STF e teve decisão endossada pela maioria. Barroso, que defende que o STF tome decisões relevantes de modo colegiado, decidiu monocraticamente sobre a CPI. No seu despacho, ele descreveu que gostaria de ter o levado direto ao Plenário na quinta-feira, 8, o que não foi possível por causa do julgamento da proibição de cultos e missas na pandemia.

Em conversa com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro disse que o magistrado faz uma “politicalha” junto ao Senado. Ainda na quinta-feira, ele tinha dito que o Supremo interfere em todos os poderes. “A CPI não é para apurar desvio de recursos de governadores. É para apurar, segundo está na ementa, no pedido da CPI, omissões do Governo Federal. Ou seja, uma jogadinha casada: Barroso e bancada de esquerda do Senado para desgastar o governo. Eles não querem saber o que aconteceu com os bilhões desviados por alguns governadores e alguns poucos prefeitos também. Quero saber se o Barroso vai ter coragem moral de mandar essa CPI e esse processo de impeachment também. Pelo que me parece, falta coragem ao Barroso e sobra ativismo judicial”, pontuou, afirmando que o Brasil está em um período crítico de pandemia e não é disso que o Brasil precisa.

A comentarista do programa “Os Pingos Nos Is”, da Jovem Pan, Ana Paula Henkel, afirmou que acompanhou atentamente o Brasil nos últimos dias e lembrou que tem sérios problemas para explicar o sistema político brasileiro ao falar dos ministros do STF. “Eu converso quase que diariamente com meus professores, pessoas envolvidas com política aqui no estado da Califórnia, também em Washington, às vezes eu traduzo para o inglês o que acontece no Brasil, o que os nossos ministros fazem. O Augusto fala do pavão de Tatuí [referência à casa do ex-ministro Celso de Mello], mas eu acho que na verdade são onze pavões ali. Um quer aparecer mais do que o outro. Então é muito difícil explicar”, afirma Henkel, lembrando da liberdade com a qual eles discutem assuntos sensíveis de outras esferas publicamente.

“Hoje fica mais claro que estamos vivendo uma juristocracia no Brasil e infelizmente com as nossas casas legislativas aí totalmente acovardadas”, opinou. Ela discordou parcialmente do presidente Jair Bolsonaro ao afirmar que acredita que a CPI da Covid pode ser voltada para âmbitos estaduais e municipais. “Sei que o pedido é muito aplicado para a esfera federal, mas isso aí bem aplicado da maneira como o povo quer saber, principalmente em relação aos recursos federais que foram para os governos estaduais e municipais, e até agora não foram prestadas todas as contas que estamos esperando. Onde estão os hospitais de campanha?”, questionou. Para ela, o feitiço pode virar contra o feiticeiro nesse caso.

Confira o programa “Os Pingos Nos Is” desta sexta-feira, 9, na íntegra: