A partir de determinada idade, a preocupação de muitas pessoas muda de foco sem que percebam completamente essa transição. O que antes era exclusivamente sobre emagrecer passa, silenciosamente, a envolver outra questão ainda mais relevante para a saúde a longo prazo: a perda progressiva de massa muscular, conhecida cientificamente como sarcopenia. Para Lucas Peralles, referência em nutrição esportiva em São Paulo, esse é um dos temas mais urgentes e, ao mesmo tempo, menos discutidos fora dos consultórios especializados.
A partir dos trinta e cinco anos, o corpo humano começa a perder massa muscular de forma gradual, um processo que se acelera com o passar das décadas, caso não haja intervenção por meio de treino de força e alimentação adequada. O problema é que essa perda costuma ser silenciosa, sem sintomas evidentes no curto prazo, até que suas consequências comecem a aparecer de forma mais visível na funcionalidade e na saúde metabólica.
O músculo como órgão metabólico, não apenas estético
Durante muito tempo, a massa muscular foi associada principalmente à estética e ao desempenho físico. A ciência atual, no entanto, reconhece o tecido muscular como um verdadeiro órgão metabólico, responsável por regular a glicemia, contribuir para a sensibilidade à insulina e influenciar diretamente a taxa metabólica basal, ou seja, a quantidade de energia que o corpo gasta mesmo em repouso.
Essa compreensão muda completamente a forma como se deveria abordar o envelhecimento saudável, pois, como expõe Lucas Peralles, tratar a massa muscular apenas como um objetivo estético é desperdiçar seu verdadeiro potencial, que envolve prevenção de doenças metabólicas, manutenção da autonomia funcional e até redução do risco de quedas e fraturas em idades mais avançadas, temas amplamente discutidos por sociedades como a American College of Sports Medicine.
Os riscos silenciosos da sarcopenia não tratada
A sarcopenia a perda progressiva de massa, força e função muscular que acompanha o envelhecimento. Essa perda está associada à maior resistência à insulina, redução da densidade óssea e aumento do risco de doenças metabólicas crônicas, mesmo em pessoas que mantêm peso corporal aparentemente estável ao longo dos anos. Isso significa que uma pessoa pode não ganhar peso visivelmente e, ainda assim, estar acumulando gordura visceral enquanto perde músculo, um fenômeno conhecido como obesidade sarcopênica.

Dentre o que alude Lucas Peralles, esse é um dos motivos pelos quais o número na balança se torna cada vez menos relevante conforme a idade avança. Ele costuma explicar, na prática desenvolvida na Clínica Peralles, que duas pessoas com o mesmo peso podem apresentar composições corporais completamente diferentes, e que essa diferença impacta diretamente na saúde metabólica, na energia diária e na longevidade funcional de cada uma delas.
O papel do treino de força na prevenção
Diferente do que se costumava recomendar no passado, atividades aeróbicas isoladas não são suficientes para preservar massa muscular ao longo dos anos. O treino de força, com estímulos progressivos de sobrecarga, é reconhecido pela literatura científica como a estratégia mais eficaz para estimular a síntese proteica muscular e retardar significativamente o processo natural de sarcopenia.
Como considera Lucas Peralles, essa é uma mudança de mentalidade essencial, especialmente entre pessoas que evitaram o treino de força ao longo da vida por associá-lo apenas a objetivos estéticos. Ele reforça que, combinado a uma ingestão adequada de proteína distribuída ao longo do dia, o treino de força se torna uma das intervenções mais poderosas disponíveis para qualquer pessoa interessada em envelhecer com mais saúde, energia e independência física.
Alimentação estratégica para preservar músculo ao longo da vida
Além do treino, a distribuição adequada de proteína ao longo do dia exerce papel fundamental na manutenção da massa muscular, especialmente em faixas etárias mais avançadas, quando o corpo se torna menos eficiente em utilizar proteínas para síntese muscular, fenômeno conhecido como resistência anabólica relacionada à idade.
Conforme observa Lucas Peralles, muitas pessoas concentram a maior parte da proteína em apenas uma refeição do dia, geralmente o jantar, quando o ideal seria distribuir essa ingestão de forma mais equilibrada entre as principais refeições. Esse ajuste simples, segundo ele, potencializa a capacidade do corpo de utilizar os nutrientes disponíveis para reconstrução muscular, reforçando um dos pilares centrais do Método LP: pequenas mudanças estruturais produzem resultados consistentes quando mantidas ao longo do tempo.
Encarar a preservação muscular como prioridade, e não apenas como consequência natural de qualquer rotina de treino, é uma mudança de perspectiva que poucos conteúdos sobre emagrecimento costumam abordar com a profundidade necessária. O foco exclusivo na perda de peso, sem considerar a composição corporal, pode levar a resultados aparentemente positivos na balança, mas prejudiciais à saúde metabólica no longo prazo. Afinal, envelhecer com qualidade de vida depende menos de quanto se pesa e mais de como esse peso está distribuído entre músculo e gordura. Entender essa diferença e agir sobre ela com antecedência é um dos investimentos mais valiosos que alguém pode fazer pela própria longevidade funcional.
