Esofagite eosinofílica em idosos: inflamação esofágica mediada por resposta imunológica, frequentemente confundida com refluxo

Por Diego Rodríguez Velázquez
Yuri Silva Portela

Conforme esclarece Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, a esofagite eosinofílica é uma condição inflamatória crônica do esôfago mediada por eosinófilos, células do sistema imunológico tipicamente associadas a respostas alérgicas, que durante décadas foi considerada uma doença predominantemente de crianças e adultos jovens. Evidências mais recentes, no entanto, demonstram que sua prevalência na população idosa é significativamente maior do que se supunha, e que suas manifestações nessa faixa etária diferem das apresentações clássicas de forma que favorece o diagnóstico tardio e o tratamento inadequado. 

Aqui, você entenderá melhor o que a medicina precisa saber sobre essa condição quando ela se manifesta na terceira idade.

O que é a esofagite eosinofílica e por que ocorre?

A esofagite eosinofílica resulta da infiltração da mucosa esofágica por eosinófilos em quantidade anormalmente elevada, processo desencadeado por uma resposta imunológica exagerada a antígenos alimentares ou inalados. Com efeito, essa infiltração produz inflamação crônica que altera progressivamente a estrutura do esôfago, com fibrose e remodelamento tecidual que reduzem a elasticidade e o calibre do órgão ao longo do tempo. O resultado clínico é uma dificuldade progressiva de deglutição que começa com alimentos sólidos e pode evoluir para comprometimento com alimentos pastosos se não tratada adequadamente.

Como aponta Yuri Silva Portela, no idoso essa progressão estrutural frequentemente já está em estágio avançado no momento do diagnóstico, pois anos de sintomas foram interpretados como refluxo gastroesofágico e tratados com inibidores de bomba de próton sem melhora sustentada. A persistência da disfagia, apesar do tratamento adequado para refluxo, deveria sempre levantar a suspeita de esofagite eosinofílica, mas essa conexão diagnóstica raramente é feita na prática clínica geriátrica.

Apresentação clínica no idoso e as diferenças em relação ao adulto jovem

No adulto jovem, a esofagite eosinofílica se manifesta tipicamente como impactação alimentar, situação em que um pedaço de alimento fica preso no esôfago e exige intervenção endoscópica para remoção. No idoso, essa apresentação dramática é menos frequente, sendo substituída por disfagia progressiva de instalação gradual, sensação de alimento parado no peito, adaptação inconsciente da dieta para alimentos mais macios e episódios de regurgitação que o paciente frequentemente não menciona espontaneamente na consulta.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

Na avaliação de Yuri Silva Portela, essa apresentação mais gradual e silenciosa no idoso representa um desafio diagnóstico real, pois se confunde facilmente com a presbifagia, dificuldade de deglutição associada ao envelhecimento normal, e com o refluxo gastroesofágico, condição muito mais prevalente e familiar aos clínicos que atendem idosos. A endoscopia digestiva alta com biópsias esofágicas é o único método capaz de confirmar o diagnóstico, e sua solicitação depende da suspeita clínica que o médico precisa desenvolver ativamente.

Diagnóstico e as implicações nutricionais da disfagia não tratada

O diagnóstico de esofagite eosinofílica no idoso exige endoscopia com biópsias de múltiplos segmentos do esôfago, pois as alterações histológicas podem ser distribuídas de forma irregular ao longo do órgão. Achados endoscópicos como anéis esofágicos, sulcos longitudinais e exsudatos esbranquiçados são sugestivos da condição, mas podem estar ausentes em casos de doença ativa, tornando a biópsia indispensável mesmo quando a endoscopia parece normal.

Conforme detalha Yuri Silva Portela, as consequências nutricionais da disfagia não tratada no idoso são graves e frequentemente subvalorizadas. Afinal, a restrição progressiva da dieta a alimentos macios e pastosos compromete a ingestão de proteínas, fibras e micronutrientes essenciais, favorecendo a desnutrição, a sarcopenia e a perda de peso que o médico tende a atribuir ao envelhecimento ou a outras condições, sem investigar a dificuldade de deglutição como causa subjacente.

Tratamento e manejo no paciente geriátrico

O tratamento da esofagite eosinofílica inclui corticosteroides tópicos deglutidos, dietas de eliminação de alimentos desencadeantes e, quando há estreitamento significativo do esôfago, dilatação endoscópica para restaurar o calibre luminal. No idoso, a dieta de eliminação apresenta desafios específicos, pois a restrição alimentar já é frequentemente uma realidade em função de outras condições, e eliminar grupos alimentares adicionais pode agravar a desnutrição preexistente.

Segundo Yuri Silva Portela, o manejo da esofagite eosinofílica no idoso exige a mesma individualização que toda a medicina geriátrica demanda: equilibrar a eficácia do tratamento com a segurança nutricional, a adesão realista do paciente e a qualidade de vida que cada intervenção é capaz de preservar ou restaurar. Diagnosticar corretamente é o primeiro passo, mas tratar com sabedoria geriátrica é o que define o desfecho real do paciente.

 

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