Apple lança nova Siri com IA na WWDC 2026 e mira o consumidor que usa redes e compras digitais

Por Diego Rodríguez Velázquez
Apple lança nova Siri com IA na WWDC 2026 e mira o consumidor que usa redes e compras digitais

Reformulação da assistente, construída em parceria com o Gemini do Google, chega após anos de promessas e pode influenciar estratégias de marketing voltadas a dispositivos móveis.

 

A Apple apresentou, durante a WWDC 2026, a reformulação mais profunda já feita na Siri desde o lançamento original da assistente, em 2011. O anúncio, realizado em Cupertino, marca uma tentativa da empresa de recuperar terreno na corrida por inteligência artificial para o consumidor comum, depois de promessas não cumpridas em edições anteriores do evento. A nova versão, batizada de Siri AI, ganhou aplicativo próprio no iPhone e passou a estar mais presente também no Mac, por meio do Spotlight, aproximando a experiência do usuário do comportamento já conhecido em chatbots modernos.

Segundo a Apple, a Siri AI consegue manter o contexto de uma conversa, responder perguntas de seguimento de forma mais natural e interagir com várias aplicações ao mesmo tempo. A base tecnológica por trás dessa reformulação é o modelo Gemini, do Google, fruto de uma parceria anunciada pelas duas empresas no início do ano. Trata-se da primeira vez que a Apple recorre abertamente a tecnologia de terceiros para alimentar seu assistente virtual, que historicamente priorizava modelos desenvolvidos internamente. A nova Siri também ganhou capacidade de acessar informações pessoais armazenadas na conta do usuário, como e-mails, fotos, eventos de calendário e anotações, o que permite respostas mais personalizadas baseadas no contexto individual de cada pessoa.

O que muda na prática para quem usa o iPhone

 

Entre as novas funções apresentadas está a possibilidade de a Siri auxiliar na produção de conteúdo escrito, analisando o estilo de redação do próprio usuário com base em textos anteriores e oferecendo sugestões de revisão automática. A assistente também passou a se integrar ao aplicativo de câmera por meio de um novo modo de inteligência visual, permitindo que o usuário aponte o dispositivo para um objeto, um prato de comida ou um monumento e receba informações contextuais na hora. No Mac, essa mesma tecnologia passa a atuar diretamente sobre o que está sendo exibido na tela, possibilitando análises e comparações de tabelas, documentos e imagens selecionados pelo usuário.

A Apple também anunciou melhorias relevantes de desempenho no novo sistema operacional iOS 27, que chega com suporte estendido a partir do iPhone 11. Segundo a empresa, os aplicativos passam a abrir até 30% mais rápido, o app de Fotos pode iniciar até 70% mais depressa e a transferência de arquivos pelo AirDrop recebe ganho de velocidade de até 80%. Outra novidade prática envolve os álbuns compartilhados, que agora aceitam participação de usuários de Android e Windows, com suporte completo para fotos em alta resolução, ampliando a interoperabilidade entre ecossistemas diferentes.

Por questões regulatórias, as novas funções de inteligência artificial não chegam, por enquanto, à União Europeia nem à China, o que cria um cenário desigual de disponibilidade da tecnologia em diferentes mercados globais. A empresa também reforçou o tema da privacidade ao longo de toda a apresentação, destacando que a Apple Intelligence segue baseada em uma arquitetura que combina processamento local nos dispositivos com computação privada na nuvem, sem armazenamento permanente dos dados utilizados durante as operações realizadas pela assistente.

Impacto para marketing digital e estratégias de mídia

 

A reformulação da Siri tem potencial para influenciar diretamente o trabalho de profissionais de marketing digital e negócios que dependem do comportamento dos usuários em dispositivos móveis. Com uma assistente capaz de executar buscas, comparar produtos e até realizar ações dentro de aplicativos por conta própria, especialistas do setor já discutem como otimizar conteúdo e campanhas para um cenário em que parte das decisões de consumo pode passar pela intermediação de um assistente de inteligência artificial, e não apenas pela navegação tradicional em sites e redes sociais.

A Apple também apresentou novidades voltadas à criação de automações sem necessidade de programação. No aplicativo Atalhos, por exemplo, passa a ser possível descrever um objetivo em linguagem natural para que a IA monte a sequência de ações necessária, como enviar automaticamente a hora estimada de chegada com base na localização e no trânsito. Para empresas que utilizam automação como parte de suas estratégias de relacionamento com clientes, esse tipo de recurso amplia as possibilidades de personalização sem exigir conhecimento técnico avançado da equipe responsável.

Durante entrevista ao podcast Mostly Human, o vice-presidente sênior de Engenharia de Software da Apple, Craig Federighi, fez questão de diferenciar a abordagem da empresa em relação a outros chatbots do mercado, afirmando que a Siri foi desenhada para realmente ajudar o usuário, e não para incentivá-lo a revelar informações pessoais como forma de criar engajamento artificial. Resta saber se, na prática, a nova versão vai conseguir entregar de forma consistente o que foi prometido, já que tentativas anteriores da Apple de modernizar a assistente geraram frustração entre usuários e desenvolvedores ao longo dos últimos anos.

Fontes consultadas: Exame | TechCrunch | Tecnoblog | SpaceMoney

 

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