O Estado de São Paulo registrou aumento de 18% no número de pacientes internados pela Covid-19 na última semana. A informação, citada pelo secretário-executivo do Comitê de Combate ao coronavírus em São Paulo, João Gabbardo, considera dos dados obtidos “censo do próprio estado”, já que falhas no sistema do Ministério da Saúde prejudicaram a análise dos números e deixou autoridades “no escuro”. “Pelo censo do próprio estado, houve aumento de 18% na semana passa no número de pacientes internados, o que, comparando com a semanas anteriores, é muito pouco, mas é um sinal de alerta. Houve aumento no número de internações e os hospitais privados, que vinham trabalhando com número menor de leitos para Covid-19, formam os primeiros que acusaram uma maior demanda e a disponibilidade de leitos reduziu”, conta, em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, nesta sexta-feira, 20.

Considerando o cenário, o Estado determinou, ainda na quinta-feira, 19, que os hospitais não façam novas desmobilizações de leitos. A proposta, segundo Gabbardo, é que nenhuma leito hospitalar saia do sistema de atendimento da Covid-19 para outras especialidades e que cirurgias eletivas não sejam marcadas “para dar tempo de analisarmos se é uma tendência de aumento [do coronavírus] ou um episódio transitório na evolução da doença”, explica. O secretário também falou sobre o aumento de casos da doença entre crianças que, segundo informação divulgada por um infectologista do Hospital Sabará, cresceram 115%. Embora também sirva como alerta, para João Gabbardo, os números ainda são proporcionalmente pequenos.  “Continuamos dizendo que o risco de uma criança ter Covid-19 é extremante menor do que uma pessoa jovem ou um adulto jovem que esteja circulando pela sociedade. Claro que na pediatria os casos são mais preocupantes, as criança tem redução da imunidade e isso pode ocasionar casos mais graves. Mas, proporcionalmente, é muito pequeno e continua sendo muito pequeno. Esse alerta serve para lembrar que mesmo as crianças não estão totalmente livre da Covid-19, apesar de ser muito menor a possibilidade [de contágio].

Ao ser questionado sobre a possibilidade de vacinação total da população brasileira até o fim de 2021, o secretário do Centro de Contingência afirmou que não é “extremamente otimista”, mas disse ter convicção que ao menos os idosos e pessoas com comorbidades, pertencentes ao grupo de risco do coronavírus, devem ser imunizados ainda no primeiro semestre de 2021. “As vacinas estão em um processo muito rápido, apresentando dados mostrando segurança, mostrando eficiência bem acima do que esperávamos. Conhecendo a capacidade que o Ministério tem de logística para distribuição e experiência, acredito que no primeiro semestre teremos pelo menos a população de maior vulnerabilidade vacinada”, afirma. João Gabbardo finalizou lembrando que a população deve procurar atendimento médico em casos de sintomas da Covid-19 e que a tendência é de aumentos de testes no estado. “Todas as pessoas sintomáticas devem ser testadas, porque com a confirmação do diagnóstico podemos identificar familiares ou outros contatos e solicitar que também fiquem isolados. Testar, identificar e rastrear essas pessoas, que deixam de estar circulando na comunidade e reduzem a transmissibilidade da doença.”