Impulsionado nos últimos dias pelos investimentos estrangeiros, o Ibovespa recuperou uma marca simbólica nessa terça-feira, 17, perdida desde o dia 26 de fevereiro, quando a Covid-19 abalou as bolsas mundiais. As bolsas brasileiras fecharam em alta de 0,77%, a 107.248,63 pontos, mostrando recuperação após quase nove meses de profundos abalos econômicos causados pelo lockdowns. 

Os impactos persistem, mas estão menos pesados e, de lá para cá, diversos fatores contribuíram para a retomada gradual do Ibovespa. O sprint final nas últimas semanas foi causado principalmente pelas eleições americanas. A definição do democrata Joe Biden como presidente dos Estados Unidos e de um Senado de maioria republicana trouxe mais segurança de que os impostos das empresas não serão aumentados nos EUA ao mesmo tempo em que o Fed terá de manter os juros baixos e os incentivos fiscais altos por bastante tempo no país para garantir a estabilidade da economia.

Os mais beneficiados por esse novo cenário que se desenhou após o pleito americano são os países emergentes. Como o real se desvalorizou fortemente no ano, o Brasil tornou-se um investimento barato e interessante para os investidores estrangeiros. Além disso, os avanços nas pesquisas sobre a vacina da Pfizer trouxeram maior apetite ao risco, o que também favorece a bolsa brasileira. Enquanto, no ano, houve uma fuga de investidores internacionais no valor de aproximadamente quase 70 bilhões de reais, em novembro essa rota se reverteu e já foram aplicado saldo positivo de cerca de 18 bilhões de reais.

“Já era esperado que, passadas as incertezas das eleições americanas, a renda variável principalmente dos países emergentes ficaria mais atrativa. Além disso, essa menor incerteza fortaleceu a expectativa pela retomada econômica, o que melhorou o horizonte para os preços das commodities”diz Victor Beyruti, analista da Guide. Isso naturalmente influenciou na valorização dos papeis brasileiros, que são fortemente ligados a commodities. No último pregão, a Vale e a Petrobras, que estão entre as principais empresas atrativas ao investidor estrangeiro, fecharam em alta de 3,16% e de 1,72%, respectivamente.

Como era esperado e foi noticiado por VEJA, o dólar vem em uma tendência de desvalorização e nessa terça-feira, 17, caiu mais um tanto em relação ao real, fechando em queda de 1,99%, a 5,3300 reais. O mesmo aconteceu com a moeda americana em relação a outras moedas internacionais. O índice DXY, que mede a sua força diante de uma cesta de moedas estrangeiras, a principal delas o euro, teve queda de 0,22%. As bolsas americanas, por sua vez, fecharam no negativo, em dia de realização de lucros após dias consecutivas de alta, mas também impactadas pelas novas ondas de infecção pelo novo coronavírus.

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