A chegada de um bebê prematuro nunca é fácil nem para família e nem para os recém-nascidos que podem acabar passando meses dentro do hospital antes da tão esperada alta médica. Com a pandemia da Covid-19, a situação ficou ainda mais complicada, já que as regras de distanciamento e higiene também foram aplicadas para os pequenos e seus pais. Foi o que aconteceu com Tissiane Biassi, de 31 anos, que, em junho, deu à luz aos gêmeos Joaquim e Vicente aos sete meses de gestação. Prematuros, os irmãos precisaram ficar internados e Tissiane sentiu as restrições. “Eu nem vi meus bebês, na verdade. A doutora tirou da barriga, me mostrou, a médica deu para o pediatra, os procedimentos foram feitos muito rápidos. Eu vi eles só na incubadora. Os seus filhos não conhecem seu rosto, né? Porque você está de máscara. Meus filhos foram me conhecer depois que saíram da UTI.”

De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde, a prematuridade é a primeira causa de mortalidade infantil em todo o mundo. No Brasil, segundo a UNICEF e o Ministério da Saúde, quase 12% de todos os partos realizados são feitos antes das 37 semanas de gestação, colocando o país na 10ª posição entre as nações onde mais nascem crianças prematuras. A pediatra Silvana Maccagnano ressalta que, além dos cuidados usuais, neste ano os médicos precisaram reforçar o apoio emocional para as famílias nessa situação. “O principal percalço nesse período de pandemia é um pouco da questão emocional que abalou a todos nós. A gente, como equipe, tem que reforçar ainda mais os cuidados de acolhimento, fazê-los se sentir bem.”

A especialista ainda pontua que, apesar do histórico de números altos de partos prematuros no país, há uma estimativa de que, por conta da pandemia, os casos tenham diminuído. Como aconteceu na Holanda, por exemplo. Um estudo publicado na revista científica The Lancet comprovou que houve uma redução de 15% a 23% nos nascimentos antes da hora quando comparado com o mesmo período de anos anteriores. Entre os fatores que podem ter contribuído para isso estão a menor exposição das grávidas a infecções e acidentes, já que estavam mais tempo dentro de casa, e a redução com o estresse no trabalho, além de uma melhor alimentação imposta pelo home office.

*Com informações da repórter Beatriz Manfredini