Na quinta-feira, 12, Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, reiterou que avançam os estudos para a criação do euro digital,  moeda eletrônica do bloco europeu.“Não será um substituto do dinheiro em papel, mas um complemento”, afirmou. Na ocasião, Lagarde disse que não há motivos para não avançar nesses estudos uma vez que eles apresentam um avanço para o sistema financeiro e que já há iniciativas sendo estudadas há tempos pela China ou pelo Facebook: “Se é mais barato, mais rápido, mais seguro para os usuários, devemos explorá-lo. Se vai contribuir para mais autonomia para a área do euro, devemos explorá-lo. Se for facilitar os pagamentos além fronteiras, que são muito trabalhosos, devemos explorá-lo”.

As declarações foram feitas no Fórum ECB e mostram que, com a pressão vinda das empresas, dos usuários e dos países asiáticos que avançam mais rapidamente, tornar-se digital se tornou um caminho inevitável até mesmo para o sistema financeiro das moedas mais fortes do mundo, como aborda reportagem de VEJA desta semana, Essa evolução caminha paralelamente a outras feitas pelo sistema financeiro global, como os avanços das Fintechs e dos sistemas de pagamento digital por meio de aplicativos.

De acordo com Lagarde, a consulta pública que se iniciou em outubro vai ser concluída em janeiro do ano que vem, e a partir daí será tomada uma decisão se o projeto do euro digital seguirá em frente ou não. Apesar da cautela, Lagarde acredita que a evolução acontecerá. “Podemos seguir para essa direção, o que não significa que o euro digital vai estar disponível imediatamente”. Antes, o ECB precisa estudar questões como lavagem de dinheiro e privacidade dos usuários. “Isso deve levar provavelmente dois, três, quatro anos antes de ser lançado”, disse.

Jerome Powell, presidente do Federal Reserve Bank (Fed), também afirmou que está avançando nos estudos sobre o dólar digital. “Fizemos a decisão de emitir um Central Bank Digital Currency e achamos que ainda há muito trabalho para ser feito, contanto que nos envolvamos com constituintes públicos aqui nos Estados Unidos e no mundo antes de tomar essa decisão”, disse ele. “O dólar é a principal moeda de reserva e asseguro que responderemos essa pergunta com muito cuidado”, disse.

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