Se o governo federal e a Câmara dos Deputados forem esperar pelo fim das eleições municipais para voltarem a conversar e fazerem andar os projetos prioritários do país, a Casa completará dois meses sem votar sequer um único projeto de lei. A última vez que algo foi aprovado foi em 29 de setembro, quando a Medida Provisória 976, que disponibilizou crédito extraordinário de 4,5 bilhões de reais ao Ministério da Saúde para ações de combate à pandemia de Covid-19. A única votação no período foi feita para derrubar o veto das desonerações das folhas de pagamentos de 17 setores — o que piorou as condições fiscais para o próximo ano.

Enquanto isso, a Comissão de Orçamento ainda não foi instalada e o quanto será gasto no próximo ano continua só na imaginação do governo. Já está na conta do governo que 2021 começará sem ter um orçamento definido. Será tentado aprovar a Lei de Diretrizes Orçamentárias, uma etapa preliminar na definição do orçamento, mas que poderá evitar um shutdown de áreas prioritárias.

Uma fonte próxima à articulação entre governo federal e Câmara contou ao Radar Econômico que não há previsão de votação de temas importantes até o fim do ano. As reformas, como a administrativa e a tributária, ficarão apenas nas declarações de Rodrigo Maia e Paulo Guedes. E projetos importantes como a BR do Mar ou a autonomia do Banco Central também vão encalhar.

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